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Arnaldo Nogueira Jr



Zé Fidélis

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U Pão D'Açúcre

Zé Fidélis

"A única vivida qui póde ser chamada de fina
é u chôpe, purque é a única qui usa cularinho!"
Antarctica


Logo au chigar lá nu Rio,
Comu todo vom turista,
Fui bêre u tal Pâo D'Açúcre,
Qui já di longe si abista.

Andei a pé um vucado,
Prá chigáre ondi ele istaba,
U vichinho é mesmu grande.
É um pão qui não mais si acaba.

I prá tirar minha dúbida
Si é mesmu di açúcre u tale,
Chigãi-me prá pérto i dãi-lhe
Uma dentada infernále!

Papagaio! aquilo é duro!
É di pedra u raio du monte...
Arreventei cinco dentes,
Dois pibôtes i uma ponte!


Zé Fidélis (Gino Cortopassi) se apresentava como o "inimigo número um da tristeza", com seu humor ingênuo, que se apoiava seja nas paródias de músicas de sucesso, seja no "nonsense" de transmissões radiofônicas em que irradiava um enterro com a entonação e o ritmo de um locutor esportivo, seja nas "piadas de português" e outras imitações. Desde sua estréia no programa "Cascatinha do Genaro", de João Batista de Almeida, na década de 30, Gino ganhou nova identidade que o tornaria conhecido graças ao rádio e, depois, ao disco durante três décadas: Zé Fidélis. Um sucesso que o levaria a apresentações como "one-man-show" em palcos famosos como o do Cassino da Urca ou do antológico Quitandinha. Apesar de elogiado por Sérgio Rabello, Ari Toledo e Manézinho Araújo e de ser amigo de Osvaldo Molles e Lauro Borges, grandes nomes do humor nacional, o autor, nascido em 1910, terminou seus dias numa clínica de repouso em São Paulo. Alguns de seus livros publicados: "História do mundo", "Binho, mulata e vacalhau", "Teatro maluco", Meningite aguda", "Lira arreventada", "Sarravulho", "Muito sangue e pouca areia", "Bérsos a Gasugênio", "A ópera pela tripa" e "Seleção Canalhinha", editada por Folco Masucci - São Paulo, 1968, pág. 100, de onde extraímos os versos acima.

 

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