Soneto de Contrição

Vinicius de Moraes


 

Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.
 
Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.
 
Não é maior o coração alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma...

E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.

Rio, 1938


Texto extraído de “Vinicius de Moraes – Poesia completa e prosa”, Editora Nova Aguilar – Rio de Janeiro, 1998, pág. 254.

Conheça a vida e a obra do autor em "
Biografias".

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