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Velho Tema II
Vicente de Carvalho
Eu cantarei de amor tão fortemente
Com tal celeuma e com tamanhos brados
Que afinal teus ouvidos, dominados,
Hão de à força escutar quanto eu sustente.
Quero que meu amor se te apresente
- Não andrajoso e mendigando agrados,
Mas tal como é: risonho e sem cuidados,
Muito de altivo, um tanto de insolente.
Nem ele mais a desejar se atreve
Do que merece: eu te amo, e o meu desejo
Apenas cobra um bem que se me deve.
Clamo, e não gemo; avanço, e não rastejo;
E vou de olhos enxutos e alma leve
À galharda conquista do teu beijo.
Vicente Augusto de Carvalho, o "Poeta do
Mar", nasceu em Santos (SP), em 05/04/1866, lá falecendo no dia 22/04/1924.
Poeta, contista, advogado, jornalista, político e magistrado, por motivos políticos
mudou-se para a cidade de Franca (SP) e tornou-se fazendeiro. Em 1901, regressou a Santos,
dedicando-se à advocacia. Mudou-se para São Paulo (SP), em 1907, onde foi nomeado juiz
de direito. Em 1914, passou a ministro do Tribunal de Justiça do Estado. Foi grande
artista do verso, da fase criadora do Parnasianismo. No fim da vida, cansou-se do
jornalismo, mas continuou em contato com seus leitores através dos versos que publicava
nas páginas da revista "A Cigarra". Ocupou a Cadeira 29 da Academia Brasileira
de Letras, tendo sido eleito em 1º de maio de 1909, na sucessão de Artur Azevedo.
OBRAS:
Ardentias (1885);
Relicário (1888);
Rosa, rosa de amor (1902);
Poemas e canções (1908);
Versos da mocidade (1909);
Verso e prosa (1909);
Páginas soltas (1911);
A voz dos sinos (1916);
Luizinha, contos (1924);
Discursos e obras políticas e jurídicas.
Poema extraído do livro "Poemas e canções", Ed. Saraiva - São Paulo, 1965.
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