Trovas


Eu já fui à sua casa
E já sei o que ela é.
A fartura que vi nela
Foi pulga e bicho de pé.


Adeus, para sempre adeus!
Ingrata sem coração:
Tu és pia de água-benta
Onde todos põem a mão.


Eu recuso mulher nova,
Que é espelho dos enganos:
Quero uma velha bem velha
De vinte, ou vinte e dois anos


Tanto limão, tanta lima,
Tanta silva, tanta amora,
Tanta menina bonita...
Meu pai sem ter uma nora!


Quem quiser ter vida longa
Fuja sempre que puder
De médico, boticário,
Melão, pepino e mulher!


Eu jurei de nunca mais
Dizer adeus a ninguém.
Quem parte leva saudades,
Quem fica não vai no trem.


Todo sujeito sensato
Sabe a verdade de cor:
A mulher bela, de fato,
Sem fato fica melhor.


Vou-me embora, vou-me embora,
Para aqui não volto mais,
Que eu não sou bonde da Light,
Que vai pra diante e pra trás.


Quem fala de mim, quem fala
Quem fala de mim, quem é?
É algum chinelo velho
Que não me serve no pé.


Quero cantar, ser alegre
Que a tristeza não faz bem;
Inda não via tristeza
Dar de comer a ninguém.


Um pouco da pureza das
Trovas, umas com sabor de poesia popular e tradicional, tocadas às vezes de leve ironia, extraídas do livro "Humor e Humorismo", de Idel Becker, Editora Brasiliense - São Paulo, 1961, pág. 24.

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