A mensagem
Stanislaw Ponte Preta
(Sérgio Porto)
Um amigo nosso, comandante da VASP, conta-me a estranha mensagem recebida por um piloto
americano durante uma aterrissagem.
O avião da companhia norte-americana sobrevoava a Bahia, a caminho do Rio, quando um
defeito no motor obrigou o piloto a providenciar uma aterrissagem no aeroporto mais
próximo possível.
Na Bahia, justamente na pequena cidade de Barreiras, existe uma pista de emergência (se
é que se pode chamar aquilo de pista) para os aviões das linhas internacionais.
Raramente é usada, mas era a mais próxima da rota do avião. Assim, o piloto não teve
dúvidas. A situação dele estava muito mais pra urubu do que pra colibri. 0 negócio era
mesmo se mandar para Barreiras.
Pediu pouso durante certo tempo, dirigindo-se à Rádio local em inglês. A resposta
demorou um pouco, mas acabou vindo. Alguém, com forte sotaque nordestino, falando um
inglês arrevesado e misturado com palavras em português, respondia que estava ouvindo e
aconselhava o comandante a procurar outro local para aterrissagem.
Há dias estava chovendo em Barreiras e a pista se achava em péssimo estado.
O piloto, sem outra alternativa, insistiu em pousar assim mesmo, e tornou a pedir
instruções, ouvindo-se lá a voz a dizer que estava bem, mas que não se
responsabilizava pelo que desse e viesse.
Acontece porém que isso foi dito com outras palavras, ainda num misto de português e
inglês. Assim:
Ok. You land. But se der bode, I'il take my body out.
Texto extraído do livro "10 em Humor", Editora Expressão e Cultura Rio
de Janeiro, 1968, pág. 42.
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