AGRIPINO GRIECO:
01 - Mineiro dá bom dia porque bom dia volta logo. É a terra onde olho vê, mão tira e
pé corre. Por isso dá tanto banqueiro lá. O que é o batedor de carteira senão um
banqueiro apressado?
02 - O primeiro artigo sobre o Gilberto Freire quem escreveu fui eu. Casa Grande e Senzala
é um livro bem pensado e mal escrito. Pensado na casa-grande e escrito na senzala.
03 - O Ataulfo de Paiva era tão medíocre, cabeça tão vazia, que quem comesse os miolos
dele podia comungar.
04 - Em Campinas, um professor me saudou dizendo: Desta cidade saíram muitos
homens de talento. Aparteei: Saíram todos. Ficaram
furiosos comigo.
05 - Em Campos, acabei minha conferência dizendo: O rio Paraíba passa por aqui e
fica tão envergonhado que se joga no mar. Também não gostaram.
06 - Em Feira de Santana, no hotel, uma velha professora estava em prantos porque seu
marido, um português, fugiu levando tudo dela. Perguntei-lhe: A senhora, tanto
tempo professora, e não conhecia o português?
FILÓSOFOS POLÍTICOS:
. Do ventre das mulheres, de cabeça de juiz e da boca das urnas nunca se sabe o que vai
sair. (Bias Fortes - MG).
. Prefiro dormir no chão a cair da cama. (Idem).
. Lá em Minas reflorestamento a gente faz com eucalipto, porque em dez anos já é uma
árvore secular. (Benedito Valadares - MG).
. Conversa de mais de dois é comício. (Idem).
. Reunião, só depois do assunto resolvido. (Idem).
. Povo é bom visto do palanque. (José Maria Alkimim - MG).
. Bom não é ser governo. É ser amigo do governo. (Idem).
. Meu filho, eu sou tão velho, tão antigo, que sou de um tempo em que calcinha era peça
íntima. (Marcial Dias Pequeno - RJ).
. Falar não sei, mas sei dizer. (Domingos - BA).
. Opinião pública é cheque sem fundo. (José Abílio - PE).
. Prestígio de coronel é como grama: quanto mais corta mais ele cresce. (Idem).
. Quando o pasto pega fogo, preá cai no brejo. (Vitorino Freire - MA).
. O risco que corre o pau corre o machado. (Idem).
. Eu não sou Zagalo. Não jogo para empate. (Idem).
. A luz que vai na frente é a que clareia mais. (Teodorico Bezerra - RN).
. A política é feita de tudo que é bom: música, foguetão, baile, passeata, dança,
flores e aplausos. (Idem).
. O adiamento de uma luta incerta é sempre uma vitória. (Pinheiro Machado - RS).
Histórias:
O major João José, da PM, era muito popular em Aracaju. Foi dar uma aula aos soldados:
Vocês sabem o nome desse aparelho? É búscola. Serve para dar a direção.
No meu tempo não tinha nada disso não. Era norte pra frente e sul pra trás.
José Maria Alkimim encontra-se com dona Lia Salgado, famosa soprano mineira:
Mas como a senhora está jovem, dona Lia.
Qual o que, dr. Alkimim, já sou até avó.
A senhora pode ser avó por merecimento. Jamais por antigüidade.
Nova seleção de textos constantes do "Folclore Político n.º 2",
seleção de Sebastião Nery, publicação da Editora Record - Rio de
Janeiro, 1976, págs. diversas. Disse Millôr Fernandes: "...No decorrer de sua
experiência de mais de duas décadas como repórter especializado, Sebastião Nery pode
colher, nos anfiteatros mais engraçados do Brasil, o Senado e a Câmara, muitos de seus
momentos mais hilariantes". E prossegue: "Por isso, é um livro
extremamente atual, esse Folclore Político, com o qual o próprio Nery aprendeu que,
muitas vezes, parar de enfrentar o tigre frente a frente e puxar-lhe o rabo
inesperadamente é mais útil à causa e muito mais eficiente. Já foi muito dito mas
nunca é demais repetir: castigat ridendo mores, ou seja, rindo é que se castiga
os mouros".