Os dez mandamentos do político mineiro:
01 Mineiro só é solidário no
câncer.
02 O importante não é o fato, é a versão.
03 Aos inimigos, quando estão no poder, não se pede nada. Nem demissão.
04 Para os amigos tudo. Para os inimigos, a lei.
05 Respeitar, sobretudo, o padre que consegue votos; o juiz, que proclama o eleito;
e o soldado, que garante a posse.
06 Nas horas difíceis, cabe ao líder comandar: "Preparemo-nos e vão".
07 Voto comprado não é atraso, é progresso. Se o voto é comprado é porque tem
valor.
08 Em briga de político, geralmente perdem os dois.
09 Mais vale quem o governo ajuda do que quem cedo madruga.
10 É conversando que a gente se entende.
José Cavalcanti, o filósofo de Patos (Paraíba):
· O homem de responsabilidade política não
mente: inventa a verdade.
· Político é o indivíduo que pensa uma coisa, diz outra e faz o contrário.
· O político, quando se elege, assume dois compromissos: um com ele mesmo e outro com o
povo. O primeiro ele cumpre.
· Dinheiro é como azeite: por onde passa, amolece.
· Político sem mandato é como chocalho sem badalo: balança mas não toca.
· O bem público não quer bem a ninguém, a não ser a si mesmo.
· João Agripino é como mandacaru: não dá sombra nem encosto.
· Político pobre é como mamoeiro: quando dá muito, dá duas safras.
· Se queres ser bem sucedido na política, cultiva essas duas grandes virtudes: a
sinceridade e a sagacidade. Sinceridade é manter a palavra empenhada, custe o que custar.
Sagacidade é nunca empenhar a palavra, custe o que custar.
· Oposição agora é como grama de jardim: tem direito de viver, mas sem direito de
crescer. (Obs.: dito durante o regime militar de 1964).
· Oposição é como pedra de amolar: afia mas não corta.
· Governo técnico é como maestro: rege a orquestra de costas para o público.
Domingos, filósofo de Jaguaquara (Bahia):
· Oposição e sapato branco só é bonito
nos outros.
· Sabedoria, quando é demais, vira bicho e come o dono.
· Candidato é como puta: se não ficar na janela, marinheiro não vê.
Ulisses Guimarães, o filósofo da oposição:(traçando a estratégia da escalada
do MDB em 1974, 76 e 78):
. No alto do morro estavam dois touros. O touro velho e o touro novo.
Viram lá embaixo o pasto cheio de vacas. O touro novo ficou aflito:
Vamos descer depressa e pegar umas dez.
O touro velho balançou a cabeça:
Nada disso. Vamos descer devagar e pegar todas.
Deus manda lutar, não manda vencer.
. 1974 não foi uma tempestade. Foi uma tromba d'água.
. O destino do MDB não é a oposição. O destino do MDB é o poder.
. O Brasil precisa é de um projeto político que comece por batizar a criança: se é uma
democracia,então vamos ter uma democracia!
. Navegar é preciso. Viver não é preciso.
Disse Millôr Fernandes: "...No decorrer de sua experiência de mais de duas
décadas como repórter especializado, Sebastião Nery pode colher, nos anfiteatros mais
engraçados do Brasil, o Senado e a Câmara, muitos de seus momentos mais hilariantes".
E prossegue: "Por isso, é um livro extremamente atual, esse Folclore Político,
com o qual o próprio Nery aprendeu que, muitas vezes, parar de enfrentar o tigre frente a
frente e puxar-lhe o rabo inesperadamente é mais útil à causa e muito mais eficiente.
Já foi muito dito mas nunca é demais repetir: castigat ridendo mores, ou seja,
rindo é que se castiga os mouros".