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Sinh'Ana
Paulo Setúbal
Sinh'Ana é uma velhota quitandeira,
Comadre e amiga desta vila inteira,
Rica nos anos, rija na saúde
Que vive toscamente ao pé da estrada,
Numa casinha, simples e barreada,
Dum pitoresco delicioso e rude.
Ah! Quanta vez, nessas manhãs vermelhas,
Cheias de aromas, de canções, de abelhas,
Nós dois, numa travessa caminhada,
Não vínhamos ali que bom passeio!
Ver a frescura, a paz, o casto asseio,
Da humilde casinhola ao pé da estrada!
E quanta vez também (que ação profana!)
Doirávamos a toca de Sinh'Ana,
Com beijos e carícias romanescas,
Enquanto a velha, a cândida velhinha,
Voltando ingenuamente da cozinha,
Trazia um prato de broinhas frescas...
Paulo Setúbal de Oliveira, advogado, jornalista, ensaísta, poeta e romancista,
nasceu em Tatuí (SP) no dia 10 de janeiro de 1893. Formou-se em Direito em 1914, época
em que já havia publicado seu primeiro poema no jornal paulista A Tarde. Seu
primeiro livro de poesias, Alma Cabocla, foi publicado em 1920. Desde então,
escreveu diversos romances históricos e, a partir de 1926, trabalhou como colaborador do
jornal O Estado de São Paulo. Foi eleito deputado estadual (1928 / 1930), mas
teve que renunciar a seu mandato por problemas de saúde (tuberculose). Em 06 de dezembro
de 1934 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, tendo sido recebido em 27 de
julho de 1935.
O escritor faleceu em São Paulo (SP) no dia 04 de maio de 1937.
Principais obras:
Alma cabocla, poesia (1920);
A marquesa de Santos, romance-histórico (1925);
O príncipe de Nassau, romance histórico (1926);
Um sarau no pátio de São Cristóvão (1926) peça teatral;
As maluquices do Imperador, contos-históricos (1927);
A bandeira de Fernão Dias, contos-históricos (1928)
Nos bastidores da história, contos (1928);
O ouro de Cuiabá, história (1933);
Os irmãos Leme, romance (1933);
El-dorado, história (1934);
O romance da prata, história (1935);
O sonho das esmeraldas, romance, 1935);
A fé na formação da nacionalidade, ensaio (1936);
Confíteor, memórias (1937);
Ensaios históricos (publicação póstuma).
Poesia extraída do livro Alma Cabocla Flocos de Espuma, Saraiva
Editora São Paulo, 1958.
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