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Paulo César Pinheiro
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Paulo César Pinheiro
Eu vi uma velha, um velho e vi um menino.
E sobre as mãos e o colo da anciã
Eu vi a renda, a agulha, o bilro e a lã
Com que tecia as malhas do Destino.
Eu vi uma velha, e vi um menino e um velho.
E o quase cego olhar desse ancião
Tentava achar em nosso coração
Vestígio ao menos de seu Evangelho.
Eu vi um menino, um velho e vi uma velha.
E esse menino me arrastava a ela.
E a luz do velho se fechava em breus.
Chama-se Tempo esse menino forte.
E a costureira, pois, chama-se Morte.
E o velho cego, então, chama-se Deus.
Paulo César Pinheiro nasceu na cidade do Rio de Janeiro aos 28/04/1949.
Com seu primeiro parceiro, João de Aquino, compôs "Viagem", em 1964. A partir
de 1965 deu início à parceria com o violonista Baden Powell, que durou muitos anos e
abriu as portas do sucesso para sua poesia. "Lapinha",
"Quaquaraquaqua", "Aviso aos navegantes" e "Refém da
solidão" foram algumas das canções que surgiram nessa época. É parceiro de
inúmeros compositores nacionais, tendo mais de 1.500 composições de sua lavra. Em 1983
lançou o LP "Poemas Escolhidos", registrando 33 poemas de sua autoria. Tem
três livros publicados: "Canto Brasileiro" (1973), "Viola Morena"
(1984) e "Atabaques, Violas e Bambus" (2000). Em 2003, foi agraciado com o
Prêmio Shell de Musica Brasileira.
Poema extraído do livro "Viola Morena", Edições Tempo Brasileiro
Rio de Janeiro, 1984, pág. 33.
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