Pedro Amaral "Todo mundo é
ininterruptamente mal-entendido
*** Caberia, suponho, uma certa indulgência com relação às tolices a que somos levados por um entusiasmo, um estado de "transbordamento", digamos assim. Pois a ousadia é sempre fruto de um bem-estar... e já notaram como são comedidos os tristonhos? *** Procurando nos acercar o mais possível da verdade, temos que
considerar uma tal ordem de nuances e meandros que, por fim, o que ganhamos em exatidão
perdemos em ênfase, e concisão. *** Do cômodo estado de auto-indulgência a que sempre tendemos, aquele do tronco oco que segue passivamente ao sabor da correnteza, somos içados por dois tipos antagônicos de criaturas: ou bem as atraentes (as que nos impressionam com alguma sorte de perfeição, ainda que não saibamos defini-la exatamente), diante das quais sentimos irresistível necessidade de agir, de modo a atraí-las para nosso campo de gravitação; ou bem as repugnantes, de desafiadora fealdade, perante as quais cumpre assegurar a diferença que acreditamos ser.
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