O leitor sobre o livro

Pedro Amaral


O livro que alguém sublinha
Reveste-se de outra autoria;
Ali registram-se ênfases,
Escolhas que antes não havia.

Se os livros na estante
De alguém já o denunciam
— Como, de resto, as demais
Coisas suas, pessoais:
Roupas, fotografias,

O livro que esse alguém,
Além de ler, amacia
Com riscos, nódoas, com
Mãos reivindicativas,

Termina por se tornar
Tão íntimo que exclusivista
Como um lado do lar
Que não se abre às visitas.

Como um lado do lar,
Melhor dizer, de sua vida,
Que não se abre ou publica:
Resguarda as coisas não ditas.


Pedro Amaral
, carioca, 27 anos, filho de família cearense, bacharel em Filosofia pelo IFCS/UFRJ, tem mestrado em Relações Internacionais pela PUC/RJ. Publicou o livro "Vívido" em 1995, com prefácio de Antônio Houaiss, que mereceu da seção "Livros" da revista "Veja" de 01/1097 a seguinte manchete: "Bom de Verso — O jovem Pedro Amaral encanta a crítica e é apontado como a grande promessa da poesia." Elogiado por Silvano Santiago, Helena Buarque de Holanda e pelo excelente poeta Manoel de Barros, participou do livro "7+1" com outros jovens poetas, editado pela Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1997. O poema acima foi extraído do livro "Breve encontro", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 2002, pág.71.

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