Nel mezzo del camim...
Olavo Bilac
Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.
Olavo Bilac, além de poeta parnasiano, cronista, contista, conferencista e
autor de livros didáticos, deixou também na imprensa do tempo do Império e dos
primeiros anos da República vasta colaboração humorística e satírica, assinada com os
mais variados pseudônimos, entre os quais os de Fantásio, Puck, Flamínio, Belial,
Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., assinando, em outras vezes, o seu próprio nome.
Nascido no Rio de Janeiro a 16 de dezembro de 1865, foi um dos fundadores da Academia
Brasileira de Letras, em que ocupou a cadeira nº. 15, que tem Gonçalves Dias por
patrono. No seu principal livro, "Poesias", incluiu Bilac alguns sonetos
satíricos , sob o título de "Os Monstros". Escreveu livros em colaboração
com Coelho Neto, Manuel Bonfim e Guimarães Passos, sendo que, com este último, o volume
intitulado "Pimentões", de versos humorísticos.
Os versos acima foram extraídos do livro "Poesias", Ediouro - Rio de Janeiro,
1978.
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