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?Projeto Releituras
Arnaldo Nogueira Jr


Thaty Marcondes (1954) nasceu em Jundia?(SP). Mora, atualmente, em Ponta Grossa (PR). Tem textos publicados em diversos sítios da internet e em diversas coletâneas.


Receita Infalível

Thaty Marcondes


Dizem que coar caf?na calcinha segura o homem e garante o marido. Qual o qu? Superstição sem fundamento lógico.

Após anos e homens de testes, cheguei ?conclusão que o único homem que uma mulher segura pelo estômago ?o filho (se ela tiver tido a “felicidade” de parir um exemplar masculino).

Explico: comida de mãe ?sempre melhor, por mais química e comprada pronta que ela seja. Se a vizinha comprar um frango assado no restaurante “TV pra cachorro” melhor e mais chique do bairro, o dito “macho” logo afirma que a mãezinha “faz” melhor, nem que tenha sido comprado no boteco mais “p?sujo” da periferia. Basta que ela coloque as mãos de fada no pacote e pronto: ?melhor e não tem papo. E mesmo que a vizinha compre no mesmo lugar, ao paladar do filho expert ? diferente: “Ah, deve ser porque minha mãe ?freguesa antiga: o “cara” capricha!”; ou então “Minha mãe acrescenta algo, que não sei o que ? que fica melhor!”. S?mãe sabe fritar ovo como o filho gosta, j?notaram?

E ?por a?mesmo.

Meu primeiro marido (que Deus o tenha em boa cozinha celestial) adorava tudo o que eu cozinhava, me elogiava, mas o “charutinho” que a mãe dele fazia era melhor. Após inúmeras tentativas de fazer igual ?santa mãezinha dele, resolvi: “O que tua mãe cozinha, eu não faço.”. Às vezes eu escutava um pedido: “Ch? faz esfiha? Estou com uma vontade!”. Resposta pronta, na ponta da língua: “Pede pra tua mãe, que a dela ?melhor.”.

Segundo marido, a história se repete. Todo mundo elogia meu feijão, mas do cara-pálida-metade sempre ouço: “Minha mãe tempera mais o feijão; o dela ?mais saboroso; o caldo ?mais grossinho.”. Faço seguindo a receita, mas não tem jeito. Na última visita dela, testamos, ambas, o poder de sugestionamento do cidadão. Eu temperei o feijão, como sempre faço, sem mudar nada, e dissemos que ela tinha feito. O babaca logo soltou o chavão:”V?se aprende com minha mãe, porque isso sim ?que ?feijão!”. Rimos, as duas, e contamos a “pegadinha”. E ele emendou:”Mãe, c?entre nós, eu ia perguntar escondidinho se a senhora tinha perdido a mão pra temperar feijão, pois eu notei que estava diferente.”.

Não tem jeito. Mãe ?mãe: muda o nome, o endereço, mas não pode mudar de cozinha.

Aprendeu? Então corre fritar batatinha congelada pro seu filho. Garanto que a sua ? melhor do que a do mesmo pacote que a coitada da noiva dele frita e ele depois reclama da azia: “da mamãe ?mais fresquinha!”, ou “o óleo que ela usa ? diferente.”, ou ainda “voc?não acerta a temperatura do fogo!”.

Receita infalível para segurar seu homem pelo estômago: mande-o comer na casa da mãe.

E pronto. Aproveite e v?ao cabeleireiro, compre uma camisola bonita e espere por ele depois da digestão que, com certeza, ser?maravilhosa. Afinal, foi a mãe que cozinhou!


E-Mail:
thatymarcondes@ig.com.br

 

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