Ruído

Paco Llistó


Incomunicável. Havia um ruído no ar, um cheiro de azedo. Os olhos ardiam, a boca estava seca. A vontade era de gritar, mas sabia que ninguém poderia ouvir. Estava encarcerado na minha própria existência. Era um retrato insosso da falta de dignidade. Nulidade de esperança e de vontade.
 
 Eis que uma brisa leve bateu no meu rosto e me fez sentir mais vivo. Dei as mãos para a felicidade e caminhei, absorto. Caminhei sem rumo, mas uma força inexplicável insistia em me levar, uma força repleta de beleza e de luz. Comecei a acreditar na mudança. Transformação. Lenta. Mas era realidade.
 
 Realidade. Destino. A essência estava no seu rosto, no seu sorriso singelo. Em sua força que impressionava. Palavras. Carinho. Perda. Inaceitável saber que poderia perdê-la. Medo. Precisava acreditar que eu tinha dado uma chance à felicidade.
 
 Agora ela está presente. O ruído cessou. Calma. Paz. Como é difícil perceber o mundo ao redor quando se ama. Ruído. Mas não ensurdecedor. Cheiro. Mas agora prazeroso. É sublime a sensação de estar vivo novamente.
 


Paco Llistó (1980) mora em São Paulo (SP). Radialista, ator, faz pós-graduação em Jornalismo. Trabalha como produtor de TV e de teatro. Não tem trabalhos publicados. Diz ser esta sua primeira tentativa de fazer com que seus textos tornem-se públicos.

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