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Arnaldo Nogueira Jr


Luiz "Minduim" Vasconcellos é professor, designer gráfico e ilustrador, é pesquisador e consultor das artes culinárias, mantém coluna  de gastronomia desde 1997 no Diário Popular, em Pelotas (RS). Em 1995 publicou o  livro "Homem de Pelotas na Cozinha" (!!!). Em 1998 seu site, "Churrasco, Carne e Prazer" ficou entre os 3 finalistas do IBest.
Tem arriscado alguns comentários e crônicas tendo como gancho a gastronomia... ou não!


A suave inconsistência do Light!

Luiz "Minduim" Vasconcellos


Parafraseando Kundera... agora tudo é light... láite!

Toda vez que escuto a expressão light, tenho um pequeno pasmo, um pasmo, assim,  de pequeno porte. De repente uma qualidade nutricional de alimentos para dietas variadas, vira sinônimo de qualquer coisa que se queira invencionar.

— Fulana é professora da Federal, mas assim sabe num esquema light, sem muito atropelo e o dinheiro certinho no começo do mês...

— Vamos fazer um churrasquinho light, com uma lingüicinha light, umas coxinhas sem a pele, um vinhosinho gelado, uma saladinha esperta (sempre no diminutivo), tudo bem laíte.

— Agora estou numa light, cai fora de uma casamento de anos...

É impressionante o número de condutas, posturas, idéias, coisas que podem ser consideradas light.

De repente tudo que é legal, maneiro, da hora, tem de ser light. Light virou qualidade universal, incondicional com certificado de ISO´s variados e tudo mais. Pense na última vez que você usou o termo. Foi designar exatamente o quê?

A tradução de light é leve, desprovida de peso. Ou não?

Minha questiúncula é a de que, será que atributos como consistência, substancioso, calórico, pujança, força, peso enfim, poderiam ser considerados como negativos ou indesejados? Coisas desprezíveis?

Fica a impressão que light puxa para o  feminino. O que é que você acha? Consegues atribuir o adjetivo mencionado em algum objeto claramente identificado como masculino? Difícil!

Fico com o pé atrás com estes neologismos criados a partir da língua de Sua Majestade, sem que dele se necessitasse. Não sou chegado em anglicismos, dessa mania, ultrapassada e funesta, de achar que tudo que é importado é bom.

Mas para que, Deus meu, usar light se temos o leve. Consultemos o amansa burro:

le.ve

adj. m. e f. 1. Que pesa pouco. 2. Que não é grave, que não é perigoso. 3. Que não é importante. 4. Delicado, ameno, brando. 5. Simples, superficial. 6. Airoso na forma. 7. Ágil, ligeiro. 8. Aliviado, desoprimido.

Extenso não? Um vocábulo, um adjetivo de primeira grandeza. Que de light, convenhamos, nada tem.

Então, criaturas de Deus, parem com esta bobagem brega de achar ou dizer que:

— Agora tudo é light!


E-Mail: mindubas@gmail.com

 

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