Passagem

Mariela Mei


Não seria difícil concluir que meu enterro solene
Vivido por algumas vidas tão bonitas
É coisa de Deus.
Teria eu, outrora, dito a este mundo algo parecido,
Algo como um aviso para as horas de dor.

Assim, a esta hora digo: eu passo sempre.
Mais do que as coisas que sempre passam —-
Sou veloz, fugaz.
Sou um raio que atinge o breu noturno
E deixa nada senão o ruído que gela a espinha.

Eu passo — sempre passarei...

Assim tem sido meu caminho todo:
Um percurso de passagem brusca e doce,
Revoluções internas.
Não sustento qualquer espécie de pena por mim
Mas sinto em não conseguir ficar mais instante.

Talvez aquela fosse minha última passagem
Para então criar brilho pleno em algo que fica.
Eu precisava disso.
Uma última passagem, enfim.
Para fugir do medo de assentar. Longamente.

São tantas as coisas do mundo que eu não sei.
Mas sei que brotei infinitas vezes, e não cravei raízes.
Vou...
Sou uma parábola em dilúvio desenfreado
Eu transbordo como os cantadores do amor.


Mariela Mei
é natural de Orlândia (SP), onde nasceu em 1983. Reside, atualmente, em Mogi Mirim (SP) e cursa a faculdade de jornalismo. Com 12 anos foi agraciada com o prêmio concedido no Concurso Lions Clube de Orlândia. Colaborou com diversos jornais locais. Pretende entregar para publicação seu "Versos de dentro".

                                                                 
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