Todos os dias

Joel Borella



De todos os dias, eu escolho esses,
Que me fazem sentir dor, medo;
Sentir as lágrimas que buscam abrigo entre meus lábios.
Desses dias, posso caminhar pela chuva,
Pelo sol, em dia nublado;
Ou simplesmente caminhar.
Dias desses,
Que me esconde em seus ponteiros
E que me leva a mastigar meu suor,
Meu pranto e minha dor.
Quem desses, me rasga a pele,
Sangra o chão
E morre sentado a beira de algum lugar?
Nesses dias, eu brinco de ser alguém,
De ser um e de ser todo mundo;
Mesmo sabendo que é embriaguez sofrer;
Mesmo sabendo,
Que estou cansado e bêbado em ser.
Cace-me nessas noites sujas,
Roube-me de algum lugar
E coma dessa carne enrijecida pelo tempo.
Desses dias eu quero a lágrima,
O cheiro,
As coisas para me proteger,
Para me libertar e me prender
De todas essas buscas de apenas um céu.
Estou exausto de todos os dias, e,
Intensamente entorpecido pelos cansaços.


 
Nascido em 26/05/1985, em uma cidade do interior de São Paulo, Joel Fernando Borella começou a se interessar pela arte da escrita em sua graduação em Psicologia, na qual, ao seu término, essa em 2007, se aprofundou nas palavras na busca por contornos e circulações dos sentimentos e das angústias dos seus e dos outros cotidianos.

[ Voltar ]

RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUAL
Copyright © 1996 PROJETO RELEITURAS. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site.