O som

Gildo Lopes


O som é como a liberdade.
Ninguém o pode prender,
ninguém pode prescindir dele,
não se pode encarcerá-lo,
porque de todos os lados
ele sai vitorioso.
E não há meios
de ser esquecido,
ou desdenhado,
ou abafado,
ou espezinhado.
E está em toda parte,
menos dentro do mundo
onde vive a morte.
Está nos gritos da criança,
quando nasce
ou quando brinca.
Esta nos céus,
no barulho das asas,
que transportam os viajantes
para o reino da esperança.
Esta no seio das florestas,
compondo a vida das árvores e
das feras,
que lutam para sobreviver.
Esta no murmúrio dos rios,
no canto das aves,
na boca dos trovões,
nos lábios que beijam,
no coração que bate,
nas preces que pedem paz,
nos gritos de escárnio,
no ventre dos órgãos,
nas cordas do violino,
no coração da borboleta,
onde houver vida, enfim,
mas só pode ser ouvido,
Quando se faz silêncio.


Gildo Lopes (falecido em 1993 aos 76 anos) era professor de Português e Literatura, redator do jornal "Correio da Manhã" e encarregado de assuntos culturais do Brasil nas embaixadas de Buenos Aires (Argentina) e Quito (Equador). Publicou dois livros de poesia: "Poesia Amiga" e "Exercício de Poesia".

[ Voltar ]

RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUAL
Copyright © 1996  PROJETO RELEITURAS. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site.