O texto da mulher
Gabriela Mello Barbosa
O texto da mulher tem perfume que às vezes se sente só pelo título. Tem todo o jeito de
quem anda por andar, sinceramente sem querer chegar a lugar nenhum. O texto da mulher dá
pra ver que demorou muito tempo pra ficar pronto, e ainda não está. Dá pra ver que uma
mulher escreve pra outra pra outra completar.
O texto da mulher tem um silêncio gostoso de se ouvir e pronto para ser quebrado. Tem
natureza própria: vento que sopra a cara e provoca os cabelos; lua que, nua, se banha no
mar festa nos navios negreiros...!
O texto da mulher dá orgulho: a gente fica lendo, boba, descobrindo um monte de coisas
que já sabia e que só precisava lembrar.
O texto da mulher fecha os olhos quando faz carinho, como se fosse ele o acarinhado...
todo texto de mulher tem um filho no presente e um amante no passado.
O texto da mulher faz arte: colore o que passa em branco na vida e pára o que passa
rápido demais põe o pé na frente e zás! Segue soberba, sabe que não adianta
olhar não para trás.
O texto da mulher parece sempre que foi a gente que escreveu - será uma
concatenação de saudades e esperanças comuns, ou alguém me esmiuçou sem eu deixar?
O texto da mulher treme, grita, chora e comemora em uma só língua; e faz a gente pensar
que somos, todas, fragmentos de uma mesma criatura com dois lindos seios e um santo
ventre, que caiu, quebrou e nos espalhou um dia.
O texto da mulher vale a pena a qualquer hora: de manhã, à tarde, de noite... Esteja a
solidão aqui, ou batendo na porta, do lado de fora.
Gabriela Mello Barbosa, nascida em 29/11/1981,
é estudante de Comunicação Social na Universidade Federal Fluminense. Diz não ter
"nenhum trabalho, ou melhor, paixão, publicada".
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