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Arnaldo Nogueira Jr


Cissa de Oliveira é o pseudônimo literário de Maria Sileuda Moreira de Oliveira. A autora de 53 anos mora em Campinas-SP e tem publicado um livro de poemas e dois de crônicas, um deles vencedor nesta categoria no I Prêmio Literário Cidade de Manaus, e intitulado "A Pontinha das Páginas". Além disto a autora tem participação em antologias no Brasil e em Portugal, assim como publicações acadêmicas voltadas para a área da Biologia, onde é professora doutora.

Algumas obras publicadas:

- Girassóis ao meio dia (Poesia) - AVBL Editora; - Uma sujeita esquisita (Crônicas) - AVBL Editora; - Seleção de Poetas Notívagos 2001; – As melhores poesias do século – Casa do Novo Autor – SP; - Antologia do Grupo Pax Poesis Encantada ; - Antologia de Escritas 2, 3, 4 e 5 – Encontro de escritas; - Antologia Literária - II Prêmio Literis de Cultura; - Com Licença da palavra – Antologia do Grupo PAx Poesis Encantada; - Antologia Literária (Prosa). II Prêmio Litteris de Cultura – Livro 1; - Antologia Dez rostos da Poesia Lusófona na XX Bienal Internacional do Livro em S. Paulo.


Teremos vivido inutilmente?

Cissa de Oliveira


Uma batida de bigorna se fez em algum ponto por aqui, no baú dos meus conceitos quando li a resposta do meu amigo Nilto Maciel a uma pergunta até banal – e por ser banal, penso agora, porque me afligia? “ – Paciência, mulher, o mundo não vai acabar amanhã, e se acabar, teremos vivido inutilmente”. Se ele, que é escritor bem reconhecido e bem publicado, diz isto, a quantas eu terei vivido até então?

Convém explicar que a pergunta feita ao meu amigo estava ligada à publicação da entrevista que ele me concedeu, numa revista dessas virtuais, até bem conceituada. Daí, que se explica o “calma mulher...” etc e tal. Pois bem, ele está certo. Depois, diz o dito popular que durante a vida todos devem plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Eu já fiz todos. A árvore cresceu, a filha também e o livro (um deles) até impresso foi. A árvore, por certo, já espalhou muitas sementes e deve ter uma prole significativa. A filha está estudando, namorando, trabalhando. O livro é de crônicas e ganhou um concurso.

Então porque este vazio aqui, esta busca, e tanta, que pôde ser detectada a centenas de quilômetros pelo meu amigo escritor? Seria pelo fato de que, mesmo tendo ganhado com um livro inteiro de crônicas, o tal concurso, eu não tenha conseguido sequer um espaçosinho no jornal local para publicar, vez em quando, uma crônica nova? Não sei. Sei apenas que, dia destes, eu rasguei o Paulo Coelho todinho. Foi indiretamente, mas foi. E acompanhado de um surpreendente (até pra mim): – Vai dar lição de moral na pqp! E eu nem tenho nada contra ele, e, no fundo, nem contra a crônica em que falava sobre imortalidade, no jornal da minha cidade, principalmente porque no final ele reconhece: “... e nada, absolutamente nada, restará no mundo que o vampiro tanto amou um dia...”

Mas eu me volto novamente para questionamento maior e mais importante, ou seja, o “viver inutilmente” detonado pelo meu inteligente amigo que, até onde eu sei, nem é unanimidade – a unanimidade é burra, já dizia o Nelson Rodrigues. Mas o que isso significa? Diga aí, seu Nilto! Ou diga não, meu caro amigo escritor e conterrâneo, que adivinhão você não é (que eu saiba) nem sensitivo (seria?) pra decodificar caraminholas numa tela fria de computador do outro lado do Brasil. Caraminholas de quem age, mesmo que inconscientemente, como se o mundo fosse, de fato, acabar amanhã: madrugadinha adentro, fria, insuportavelmente atemporal. Silenciosa como os passos do ladrão que ninguém pressente. De repente o vácuo, eco de big bang ao contrário, buraco negro. Setembro sem flor, nenhuma flor, nenhuma, nunca mais. O nada. Nem vampiros. Só a ausência para contar dela mesma.

Depois eu acordo. Apesar das árvores, dos livros, dos filhos – e também das revistas e dos jornais — o único fato contundente na vida é que, apesar de tudo, “ainda haveremos todos de viver até a morte”.


E-mail:
cissa.oliveira@directnet.com.br

 

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