A uma cadeira
Bruno Ramalho
Em conversa com a solidão,
por acidente de um fim de tarde,
descobri que meu corpo arde
de poesia sem explicação.
Decerto, outrora me acharia louco,
mas agora um bobo sem inspiração,
dedicando a ela todo o coração,
o que, um dia, a outrem dediquei tão pouco.
Assim, pela arte que em mim não morre,
e sobrevive, sim, à linha mais torta,
fiz estes versos a uma cadeira,
que, por acaso, segurava a porta.
Bruno Ramalho nasceu em 1978 na cidade do Rio de Janeiro e é medico
formado pela Universidade Federal de Uberlândia (MG). Publicou sua primeira obra, "A
penúltima coisa que se faz", como produção independente. Participou do 1°
Concurso Nacional de Poesias Regina Lima, alcançando a 12a. colocação com
"Memória". Teve poesia publicada na antologia de poesias, contos e crônicas da
Editora Scortecci, em 2000, "Encontro com a palavra". Seu trabalho que
ora publicamos já está selecionado para a próxima edição da antologia, em 2001.
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