A uma cadeira
Bruno Ramalho
Em conversa com a solidão,
por acidente de um fim de tarde,
descobri que meu corpo arde
de poesia sem explicação.
Decerto, outrora
me acharia louco,
mas agora um bobo sem inspiração,
dedicando a ela todo o coração,
o que, um dia, a outrem dediquei tão pouco.
Assim, pela arte
que em mim não morre,
e sobrevive, sim, à linha mais torta,
fiz estes versos a uma cadeira,
que, por acaso, segurava a porta.
Bruno Ramalho de Carvalho nasceu em 1978. Publicou seu primeiro livro de
poesias em 1999 "A primeira coisa que se faz" (ed. do autor), e
programa para breve o lançamento do próximo rebento, "do amor deveras e das
quimeras". É médico ginecologista e obstetra e atua na área de reprodução
assistida.
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