Itinerário

Amaury Nicolini



A que horas sai o trem para a saudade?

Quero um lugar já nos primeiros bancos

para chegar mais depressa ao que perdi,

voltar aos sonhos da minha mocidade

quando não tinha estes cabelos brancos

e não pensava em sofrer o que sofri.

Quero um lugar no trem que está partindo

e que sai desta estação rumo ao passado

em cima de infindáveis e invisíveis trilhos,

onde quem hoje chora vai sorrindo,

quem dorme para sempre está acordado

e quem já é até avô não tinha filhos.

Quero um lugar no trem antes que parta

e eu não tenha outro modo de rever

tanta coisa que ainda guardo na lembrança:

uma foto amarelada, um lenço, a carta,

o perfume que nunca mais pude esquecer

e o lugar onde ficou minha esperança.

Por favor, dê-me logo essa passagem,

pois já escuto o sinal e até o apito

que avisa a todos que é hora da partida.

Eu não posso perder essa viagem,

talvez a última que faço, ansioso e aflito,

em busca do que eu mais quis na minha vida.


Amaury Nicolini, carioca, 69 anos, após encerrar sua carreira profissional como redator publicitário por mais de 40 anos, aproveitou o tempo livre para desenvolver sua produçăo literária, que hoje já abrange 32 livros publicados entre poesia, prosa e temas técnicos. Ocupa, como membro vitalício, a cadeira n° 10 da Academia de Letras do Brasil, tendo como patrono o poeta J. G. de Araújo Jorge.É também membro efetivo da Academia Virtual Brasileira de Letras. Por sua contribuiçăo ao desenvolvimento cultural, foi distinguido com a Cruz de Cavaleiro da Ordem do Mérito do Instituto dos Docentes do Magistério Militar. Foi agraciado com a a medalha de Mérito Literário, outorgada pela Academia de Letras do Brasil.

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