Millôr Fernandes
"Que é um assalto a um banco diante de um banco?" (Brecht). Bertrand Russel também não fez por menos. Pensador nato, gozador nato, desmi(s)tificador nato: "Se houvesse uma condenação de seis meses pela publicação de cada primeiro livro, só os verdadeiros escritores publicariam suas obras". "Gladstone, antes de qualquer atitude, sempre consultava a sua consciência. E sua consciência sempre lhe dava a resposta mais conveniente." "Se um homem te oferece democracia e outro te oferece comida, até que grau de fome você prefere o voto?" "Muitos casamentos são iguais a um ato de prostituição, só que mais difíceis da gente se livrar deles." "Fanatismo é a coisa mais perigosa que conheço: chego até a dizer que sou fanático contra o fanatismo." "Não possuir algumas coisas de que se necessita é parte fundamental da felicidade." "Um dos maiores triunfos da matemática moderna é ter conseguido descobrir, afinal, o que é a matemática." "Os chamados Expoentes da Moralidade são pessoas que abandonaram os prazeres comuns e se realizam atrapalhando o prazer dos outros." "Chama-se pornografia qualquer coisa que escandalize um magistrado senil e ignorante." "Os filósofos pré-Kant tinham uma grande vantagem sobre os filósofos pós-Kant: não precisavam gastar anos e anos estudando Kant." "Hegel enuncia sua filosofia de maneira tão obscura que, portanto, só pode ser profunda." "Sempre achei que as pessoas respeitáveis são canalhas e todo dia me olho ansiosamente no espelho tentando descobrir sinais de minha canalhice." "Ciência é tudo aquilo que você sabe. Filosofia é tudo aquilo que você não sabe." "Os homens nascem ignorantes, não estúpidos. Para torná-los estúpidos são necessários anos e anos de educação." "Aristóteles poderia ter evitado o tremendo erro de afirmar que os homens têm mais dentes do que as mulheres, simplesmente permitindo que madame Aristóteles abrisse a boca." "As reservas de urânio no mundo são muito pequenas. Teme-se que possam acabar antes mesmo da raça humana." "Como eu sou pago por palavra, só escrevo palavras bem pequenininhas." Creio que o único livro humorístico (própriamente dito) escrito por Berthand Russel é The Good Citizen's Alphabet (O Alfabeto do Bom Cidadão), da Gaberbocchus Press, 1953. Sem falar no prefácio de Professor Mmaa's Lecture, de Stefan Themerson, no qual Russel declara: "O mundo tem gente demais acreditando em coisas demais. Se houvesse menos gente acreditando em menos coisas, talvez tudo fosse melhor." O Good Citizen's, com desenhos esplêndidos de Franciszka Themerson (mulher de Sthefan?) é apenas um abecedário cívico "não facilmente entendível para quem não tenha capacidade de entendê-lo". Exemplo de algumas definições: Asneira - O que você
pensa.
RESPEITE OS
DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUAL |