O Macorvo e o Caco

Millôr Fernandes


("Fábula escrita na linguagem - aqui recuperada - do tempo em que os animais falavam")


Andesta na florando um enaco macorme avistorvo um cou com um beço pedalo de quico no beijo.

"Ver comou aqueijo quele ou não me chaco macamo.", vangloriaco o macou-se de sara pigo consi. E berrorvo para o cou: "Oládre compá! Voçá estê bonoje hito! Loso, maravilhindo! Jami o vais tem bão! Nante, brilhio, luzidegro."

Poje que enso, se quisasse canter, sua vém tamboz serela a mais bia de testa a floroda.

Gostari-lo de ouvia, comporvo cadre, per podara dizodo a tundo mer que vocé ê o Rássaros dos Pei".

Caorvo na cantida o cado abico o briu afar de cantim sor melhão cansua.

Naturalmeijo o quente caão no chiu e fente imediatamoi devoraco pelo astado macuto. " Obriqueijo pelo gado!", gritiz o felaco macou.

E a far de provim o mento agradecimeu var lhe delho um consou: Jamie confais em pacos-suxa.


Millôr Fernandes
, depois de "A baposa e o rode", já disponível no "Releituras", nos traz agora "O macorvo e o caco", inventiva forma de escrever criada pelo autor, segundo ele do tempo em que os animais falavam.

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