Lope-Lopes

Millôr Fernandes

 

  • A pedra que no papel nem serve para desenhar uma reta, dentro d'água faz círculos perfeitos.

  • Porque a mulher fica nua lhe damos um casaco de peles.

  • Sonhou que dizia: "Você é a moça dos meus sonhos".

  • O importante não é o relógio — são as horas.

  • Há gêmeos tão parecidos que o que não nos conhece nos cumprimenta.

  • Não era mulher, era um modelo vivo.

  • O menino nasceu preto apesar de todo o esforço dos médicos. 

  • O sacerdote deu uma topada e fez um silencio cheio de heresias.

  • Quando apertamos a campainha vem-nos sempre um certo receio de que a casa vá para os ares. 

  • Quando a igreja muda de padre parece que este fala de um Deus novo. 

  • A lavadeira põe o ferro em cima da roupa e o tempo passa. 

  • De cem em cem mil anos o infinito faz um ano.

  • Pegamos o telefone que o menino fez com duas caixinhas de papelão e pedimos uma ligação para a infância.

  • Acreditar que não acreditamos em nada é crer na crença do descrer.

  • E dito e feito, tudo foi dito e nada foi feito.

  • O ator encarna o papel, mas em compensação o açougueiro empapela as carnes.

  • Há certos indivíduos que, por terem que botar no correio uma carta urgente, ficam apressadíssimos.

  • Atravessou a sala com aquele ar orgulhoso dos belos transatlânticos. 

  • Quem não tem lenço se despede menos.

  • Quem mata o tempo não é um assassino.  É um suicida. 

  • A mulher do vizinho é sempre mais magra do que a nossa. 

  • Não aceitou o emprego de motorista de ônibus porque detestava coisas passageiras.

  • O morcego é o anjo do rato.

  • No espelho fazemos caretas para ver se somos bonitos.

  • Ter mais de vinte anos sempre nos pareceu uma injustiça.

 
"Lope-Lopes" extraídos dos livros "Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, s/data, pág. s/nº., "Trinta anos de mim mesmo", Editora Nórdica - Rio de Janeiro, 1972, pág. 32; "10 em Humor", Editora Expressão e Cultura - Rio de Janeiro - 1968, pág. 22.

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