A pedra que no papel nem serve para
desenhar uma reta, dentro d'água faz círculos perfeitos.
Porque a mulher fica nua lhe damos um
casaco de peles.
Sonhou que dizia: "Você é a moça
dos meus sonhos".
O importante não é o relógio
são as horas.
Há gêmeos tão parecidos que o que não
nos conhece nos cumprimenta.
Não era mulher, era um modelo vivo.
O menino nasceu preto apesar de todo o
esforço dos médicos.
O sacerdote deu uma topada e fez um
silencio cheio de heresias.
Quando apertamos a campainha vem-nos
sempre um certo receio de que a casa vá para os ares.
Quando a igreja muda de padre parece que
este fala de um Deus novo.
A lavadeira põe o ferro em cima da roupa
e o tempo passa.
De cem em cem mil anos o infinito faz um
ano.
Pegamos o telefone que o menino fez com
duas caixinhas de papelão e pedimos uma ligação para a infância.
Acreditar que não acreditamos em nada é
crer na crença do descrer.
E dito e feito, tudo foi dito e nada foi
feito.
O ator encarna o papel, mas em
compensação o açougueiro empapela as carnes.
Há certos indivíduos que, por terem que
botar no correio uma carta urgente, ficam apressadíssimos.
Atravessou a sala com aquele ar orgulhoso
dos belos transatlânticos.
Quem não tem lenço se despede menos.
Quem mata o tempo não é um
assassino. É um suicida.
A mulher do vizinho é sempre mais magra
do que a nossa.
Não aceitou o emprego de motorista de
ônibus porque detestava coisas passageiras.
O morcego é o anjo do rato.
No espelho fazemos caretas para ver se
somos bonitos.
Ter mais de vinte anos sempre nos pareceu
uma injustiça.