Biografia: Millôr Fernandes
"Acreditar que não
acreditamos
em nada é crer na crença do descrer".
"Millôr Fernandes nasceu. Todo o seu aprendizado, desde a mais remota infância. Só
aos 13 anos de idade, partindo de onde estava. E também mais tarde, já homem formado. No
jornalismo e nas artes gráficas, especialmente. Sempre, porém, recusou-se, ou como se
diz por aí. Contudo, no campo teatral, tanto então quanto agora. Sem a menor sombra de
dúvida. Em todos seus livros publicados vê-se a mesma tendência. Nunca, porém diante
de reprimidos. De 78 a 89, janeiro a fevereiro. De frente ou de perfil, como percebeu
assim que terminou seu curso secundário. Quando o conheceu em Lisboa, o ditador Salazar,
o que não significa absolutamente nada. Um dia, depois de um longo programa de
televisão, foi exatamente o contrário. Amigos e mesmo pessoas remotamente interessadas -
sem temor nenhum. Onde e como, mas talvez, talvez Millôr, porém, nunca. Isso para
não falar em termos públicos. Mas, ao ser premiado, disse logo bem alto - e realmente
não falou em vão. Entre todos os tradutores brasileiros. Como ninguém ignora. De resto,
sempre, até o Dia a Dia.
("Currículo" publicado por Millôr
quando de sua estréia no jornal "O Dia", Rio (RJ).
Considerado "um dos poucos escritores universais que possuímos", na opinião do
crítico Fausto Cunha, filho de Francisco Fernandes e de Maria Viola Fernandes, Millôr
Fernandes nasceu no dia 16 de agosto de 1923 no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro, com o
nome de Milton Viola Fernandes. Só seria registrado no ano seguinte, tendo como data
oficial de nascimento o dia 27 de maio de 1924. Sua certidão de nascimento, grafada à
mão, fazia crer que seu nome era Millôr e não Milton. Seu pai, engenheiro emigrante da
Espanha, morre em 1925, com apenas 36 anos. A família começa a passar por dificuldades e
sua mãe passa horas em frente a uma máquina de costura para poder sustentar os 4 filhos.
Apesar do aperto, o autor teve uma infância feliz, ao lado de 10 tios, 42 primos e primas
e da avó italiana D. Concetta de Napole Viola.
Estuda na Escola Ennes de Souza, de 1931 a 1935, por ele chamada de Universidade do Meyer,
mas que na verdade era uma escola pública. Diz dever tudo o que sabe a sua professora,
Isabel Mendes, depois diretora e hoje nome da escola. Se emociona ao falar sobre ela
"...uma mulatinha magra e devotada, que me ensinou tudo que se deve aprender de um
professor ou de uma escola: a gostar de estudar. Depois disso, pode-se ser autodidata.
Escola, a não ser para campos técnicos / experimentais, é praticamente inútil".
A chegada ao Brasil das histórias em quadrinhos, em 1934, faz de Millôr um leitor
assíduo dessas publicações, em especial de Flash Gordon, de autoria de Alex Raymond, e,
com isso, dar vazão à sua criatividade. Sob a influência de seu tio Antônio Viola, tem
seu primeiro trabalho publicado em um órgão da imprensa "O Jornal", do
Rio de Janeiro, tendo recebido o pagamento de 10 mil reis por ele. Era o início do
profissionalismo, adotado e defendido para sempre.
Em 1935, também com 36 anos, falece sua mãe, o que faz com que os irmãos Fernandes
passem a levar uma vida dificílima. Essa coincidência de datas leva Millôr a escrever
um conto, "Agonia", publicado na revista "Cigarra" em janeiro de 1947,
onde afirmava: "Tenho dia e hora marcada para me ir e o acontecimento se dará por
volta de 1959". A morte da mãe o leva a morar em Terra Nova, subúrbio próximo ao
Méier, com o tio materno Francisco, sua mulher Maria e quatro filhos.
Trabalha, em 1938, com o Dr. Luiz Gonzaga da Cruz Magalhães Pinto, entregando o remédio
para os rins "Urokava" em farmácias e drogarias. Durou pouco esse emprego. Logo
vai ser contínuo, repaginador, factótum, na pequena revista "O Cruzeiro", que
nessa época tinha, além de Millôr, mais dois funcionários: um diretor e um paginador.
A revista, anos depois, chegou a vender mais de 750.000 exemplares. Com o pseudônimo
"Notlim" ganha um concurso de crônicas promovido pela revista "A
Cigarra". Com isso, é promovido e passa a trabalhar no arquivo.
O cancelamento de publicidade em quatro páginas de "A Cigarra" fez com que
fosse chamado por Frederico Chateaubriand para preencher as páginas que ficaram em
branco. Cria, então, o "Poste Escrito", onde assinava-se Vão Gôgo. O sucesso
da seção faz com que ela passe a ser fixa. Com o mesmo pseudônimo, começa a escrever
uma coluna no "Diário da Noite". Assume a direção de "A Cigarra",
cargo que ocuparia por três anos. Dirigiu também "O Guri", revista em
quadrinhos e "Detetive", que publicava contos policiais.
Ciente da necessidade de se aprimorar, estuda no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de
Janeiro de 1938 a 1943.
Em 1940, muda-se para o bairro da Lapa, centro da cidade, e passa a morar próximo a Alceu
Pena, seu colega em "O Cruzeiro". Colabora na seção "As garotas do
Alceu" como colorista e versejador.
Autodidata, faz sua primeira tradução literária: "Dragon seed", romance da
americana Pearl S. Buck, com o título "A estirpe do dragão", em 1942.
No ano seguinte retorna, com Frederico Chateaubriand e Péricles, à revista "O
Cruzeiro". Em dez anos, a tiragem foi um grande êxito editorial, passando de 11 mil
para mais de 750 mil exemplares semanais.
Em 1945, inicia a publicação de seus trabalhos na revista "O Cruzeiro", na
seção "O Pif-Paf", sob o pseudônimo de Vão Gôgo e com desenhos de
Péricles.
No ano seguinte lança "Eva sem costela Um livro em defesa do homem", sob
o pseudônimo de Adão Júnior.
Sua colaboração para "O Cruzeiro", em 1947, atinge a marca de dez seções por
semana.
Em 1948 viaja aos Estados Unidos, onde encontra-se com Walt Disney, Vinicius de Moraes, o
cientista César Lates e a estrela Carmen Miranda. Casa-se com Wanda Rubino.
Publica "Tempo e Contratempo", com o pseudônimo de Emmanuel Vão Gôgo, em
1949. Assina seu primeiro roteiro cinematográfico, "Modelo 19". O filme,
lançado com o título "O amanhã será melhor", ganha cinco prêmios Governador
do Estado de São Paulo. Millôr é agraciado com o de melhores diálogos.
Em 1951, na companhia de Fernando Sabino, viaja de carro pelo Brasil, durante 45 dias.
Lança a revista semanal "Voga", que teve apenas cinco números.
Viaja pela Europa por quatro meses, em 1952.
"Uma mulher em três atos", sua primeira peça, estréia no Teatro Brasileiro de
Comédia, em São Paulo (SP), em 1953.
No ano seguinte, compra o imóvel que se tornaria famoso "a cobertura do
Millôr", no bairro de Ipanema, onde o escritor até hoje vive. Nasce seu filho Ivan.
Em 1955, divide com o desenhista norte-americano Saul Steinberg o primeiro lugar da
Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires, Argentina. Escreve
Do tamanho de um defunto, que estreou no Teatro de Bolso (Rio) e, depois,
adaptado pelo próprio autor para o cinema, tendo o filme o título de Ladrão em
noite de chuva. Nesse ano escreve Bonito como um deus, que estréia no
Teatro Maria Della Costa, em São Paulo (SP), e ainda Um elefante no caos e
Pigmaleoa.
Em 1956, Millôr passa a ilustrar todos os seus textos publicados na revista "O
Cruzeiro".
No ano de 1957, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro recebe exposição individual do
biografado. Realiza a cenografia de As guerras do alecrim e da manjerona. Esse
trabalho foi premiado pelo Serviço Nacional de Teatro no ano de 1958.
Nesse ano, conclui a primeira tradução teatral: Good people, então
intitulada A fábula de Brooklin Gente como nós. Fez parte do grupo
que "implantou" o frescobol no posto 9, Ipanema, Rio de Janeiro.
Escreve o roteiro de Marafa, a partir do romance homônimo de Marques Rebello.
Em 1959. No mesmo ano, apresenta na TV Itacolomi, de Belo Horizonte, a convite de
Frederico Chateaubriand, uma série de programas intitulada Universidade do
Méier, na qual desenhava enquanto fazia comentários. Posteriormente, o programa
foi transferido para a TV Tupi do Rio de Janeiro, com o título de Treze lições de
um ignorante e suspenso por ordem do governo Juscelino Kubitschek após uma crítica
à primeira dama do país: Disse Millôr: "Dona Sarah Kubitschek chegou ontem ao
Brasil depois de 5 meses de viagem à Europa e foi condecorada com a Ordem do Mérito do
Trabalho." Nasce sua filha, Paula.
Nos anos seguintes, já integrado à intelectualidade carioca, convive com Péricles,
criador de "O Amigo da Onça", Nelson Rodrigues, David Nasser, Jean Manson,
Alfredo Machado, Fernando Chateaubriand, Emil Farhat e Accioly Netto, entre outros.
Em 1960, depois de resolvidos os problemas com a censura, estréia no Teatro da Praça, no
Rio, Um elefante no caos. O título original da peça era Um elefante no
caos ou Jornal do Brasil ou, sobretudo, Por que me ufano do meu país rendeu a
Millôr o prêmio de Melhor Autor da Comissão Municipal de Teatro. O filme
Amor para três, com roteiro do biografado, baseado em Divórcio para
três, de Victorien Sardou, é dirigido por Carlos Hugo Christensen. Millôr
colaboraria com esse diretor em mais três filmes: Esse Rio que eu amo, 1962,
Crônica da cidade amada, 1965, e O menino e o vento, 1967.
Expõe, em 1961, desenhos na Petit Galerie, no Rio. Viaja ao Egito e retorna antes do
previsto, tendo em vista a renúncia do presidente Jânio Quadros. Trabalha por 7 dias no
jornal "Tribuna da Imprensa", Rio, que mais tarde pertenceu a seu irmão Hélio
Fernandes. Foi demitido por ter escrito um artigo sobre a corrupção na imprensa. Os
editores, o poeta Mário Faustino e o jornalista Paulo Francis pediram também demissão
em solidariedade.
No ano seguinte, na edição de 10 de março de O Cruzeiro, demite
Vão Gôgo e passa a assinar Millôr. A Amstutz & Herder Graphic Press, importante
publicação de Zurique, dedica uma página de seu anuário ao autor.
Pigmaleoa é apresentada, sob a direção de Adolfo Celi, no Teatro Rio.
Em 1963, escreve a peça teatral Flávia, cabeça, tronco e membros. Viaja a
Portugal e, durante sua ausência, a revista O Cruzeiro publica editorial no
qual se isenta de responsabilidade pela publicação de História do Paraíso,
que obteve repercussão negativa por parte dos leitores católicos da revista. Millôr
deixa a revista e começa a trabalhar no jornal Correio da Manhã, lá ficando
até o ano seguinte.
A partir de 1964, e até 1974, colabora semanalmente no jornal Diário Popular, de
Portugal. A página mereceria o seguinte comentário de um ministro de Salazar: "Este
tem piada, pena que escreva tão mal o português". Lança a revista
Pif-Paf, considerada o início da imprensa alternativa no Brasil. Foi fechada
em seu oitavo número, por problemas financeiros.
Volta à TV, em 1965, como apresentador na TV Record, ao lado de Luis Jatobá e Sérgio
Porto (Stanislaw Ponte Preta), do Jornal de Vanguarda. Liberdade
liberdade estréia no Teatro Opinião, no Rio, musical escrito em parceria com
Flávio Rangel.
Composta pelo biografado, a canção O homem é defendida no II Festival de
Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record, por Nara Leão, em 1966. Monta, ao
ar livre, no Largo do Boticário, Rio, só com atores negros, sua adaptação de
Memórias de um sargento de milícias.
Em 1968 atua, ao lado de Elizeth Cardoso e do Zimbo Trio, em Do fundo do azul do
mundo, espetáculo musical de sua autoria. Passa a colaborar com a revista
Veja.
Na sua estréia, apresentou-se com o texto que abaixo reproduzimos parcialmente:
SUPERMERCADO MILLÔR
ANO I - N.º 1
(Autobiografia De Mim Mesmo À Maneira
De Mim Próprio)
"E lá vou eu de novo, sem freio nem
pára-quedas. Saiam da frente, ou debaixo que, se não estou radioativo, muito menos estou
radiopassivo. Quando me sentei para escrever vinha tão cheio de idéias que só me saíam
gêmeas, as palavras reco-reco, tatibitate, ronronar, coré-coré, tom-tom,
rema-rema, tintim-por-tintim. Fui obrigado a tomar uma pílula anticoncepcional. Agora
estou bem, já não dói nada. Quem é que sou eu? Ah, que posso dizer? Como me espanta!
Já não fazem Millôres como antigamente! Nasci pequeno e cresci aos poucos. Primeiro me
fizeram os meios e, depois, as pontas. Só muito tarde
cheguei aos extremos. Cabeça, tronco e membros, eis tudo. E não me revolto. Fiz três
revoluções, todas perdidas. A primeira contra Deus, e ele me venceu com um sórdido
milagre. A segunda com o destino, e ele me bateu, deixando-me só com seu pior enredo. A
terceira contra mim mesmo, e a mim me consumi, e vim parar aqui.
... Dou um boi pra não entrar numa briga. Dou uma boiada pra sair dela....Aos
quinze (anos) já era famoso em várias partes do mundo, todas elas no Brasil. Venho, em
linha reta, de espanhóis e italianos. Dos espanhóis herdei a natural tentação do
bravado, que já me levou a procurar colorir a vida com outras cores: céu feito de conhas
de metal roxo e abóbora, mar todo vermelho, e mulheres azuis, verdes ciclames. Dos
italianos que, tradicionalmente, dão para engraxates ou artistas, eu consegui conciliar
as duas qualidades, emprestando um brilho novo ao humor nativo. Posso dizer que todo o
País já riu de mim, embora poucos tenham rido do que é meu.
Sou um crente, pois creio firmemente na descrença. ...Creio que a terra é chata.
Procuro não sê-lo. ...Tudo o que não sei sempre ignorei sozinho. Nunca ninguém me
ensinou a pensar, a escrever ou a desenhar, coisa que se percebe facilmente, examinando
qualquer dos meus trabalhos.
A esta altura da vida, além de descendente e vivo, sou, também, antepassado. É
bem verdade que, como Adão e Eva, depois de comerem a maçã, não registraram a idéia,
daí em diante qualquer imbecil se achou no direito de fazer o mesmo. Só posso dizer, em
abono meu, que ao repetir o Senhor, eu me empreguei a fundo. Em suma: um humorista nato.
Muita gente, eu sei, preferiria que eu fosse um humorista morto, mas isso virá a seu
tempo. Eles não perdem por esperar.·
Ainda em 1968 escreve o texto do show Momento 68, promovido pela empresa
Rhodia, que contou com a participação de Caetano Veloso, Walmor Chagas e Lennie Dale,
entre outros.
No ano seguinte, participa do grupo fundador de O Pasquim.
Fernanda Montenegro estrela Computa, computador, computa, no Teatro Santa
Rosa, no Rio, em 1972. Lança o livro Esta é a verdadeira história do
Paraíso e também Trinta anos de mim mesmo, numa sessão de autógrafos
denominada Noite da contra-incultura.
Em 1975, faz exposição de 25 quadros em branco, mas com significado, na
Galeria Grafitti, no Rio.
No ano seguinte, escreve para Fernanda Montenegro a peça É..., que se tornou
o grande sucesso teatral de Millôr ao ser encenada no Teatro Maison de France, no Rio.
Em 1977, realiza nova exposição de seus trabalhos no Museu de Arte Moderna do Rio de
Janeiro.
Adapta, no ano seguinte, para o formato de musical a peça Deus lhe pague, de
Joracy Camargo, que contou com Bibi Ferreira na direção e com músicas de Edu Lobo e
Vinicius de Moraes. É homenageado pelo 5º Salão de Humor de Piracicaba (SP), mas
exige que a honraria seja para todos os humoristas na pessoa de Millôr
Fernandes. Em Brasília, para o Museu da Moeda, localizado no Banco Central do
Brasil, produz quatro painéis que contam a
história do dinheiro.
Estréia no Teatro dos Quatro, Rio, a peça Os órfãos de Jânio, em 1980.
Publica Desenhos, uma compilação de seus trabalhos gráficos, com textos de
apresentação de Pietro Maria Bardi e Antônio Houaiss, em 1981.
O ano de 1982 é de muito trabalho. O autor escreve e publica a peça Duas tábuas e
uma paixão. Traduz a opereta A viúva alegre, de Franz Lear,
apresentada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Tetê Medina monta A eterna luta
entre o homem e a mulher, no Teatro Clara Nunes Rio. Escreve a adaptação de
A chorus line, encenado por Walter Clark. Estréia Vidigal:Memórias de
um sargento de milícias. São dele, nessa peça, os cenários, figurinos e letras,
musicadas por Carlos Lyra. Com Flávio Rangel, escreve e representa o espetáculo O
gesto, a festa, a mensagem, na TV Record de São Paulo. Deixa a revista
Veja.
Em 1983, é homenageado pela Escola de Samba Acadêmicos do Sossego, de Niterói (RJ).
Millôr não comparece ao desfile. Passa a colaborar com a revista Istoé.
Lança Poemas, em 1984. Estréia o musical O MPB4 e o dr. Çobral vão
em busca do mal.
No ano seguinte, colabora com o Jornal do Brasil. Lança o Diário da Nova
República. É montada a peça Flávia, cabeça, tronco e membros no
Teatro Ginástico Rio.
Passa a usar o computador para escrever e desenhar, em 1986. Escreve, com Geraldo Carneiro
e Gilvan Pereira, o roteiro do filme O judeu, dirigido por Jom Tob Azulay,
baseado na vida de António José da Silva. Rodado em Portugal, só seria concluído em
1995.
Lanné 82 au Brésil: le regard critique de Millôr Fernandes (O ano de
82 no Brasil: o olhar crítico de Millôr Fernandes), é o tema de tese de doutoramento de
Françoise Duprat na Universidade de Toulouse-Le Mirail II, França, em 1987.
No ano seguinte, lança The cow went to the swamp / A vaca foi para o brejo.
Na Universidade de São Paulo (USP), Branca Granatic defende, na dissertação de
mestrado, Os recursos humorísticos de Millôr Fernandes.
Em 1990, nasce seu neto, Gabriel, filho de Ivan.
Deixa a revista Istoé e o Jornal do Brasil, em 1992.
No ano de 1994, lança Millôr definitivo A bíblia do caos.
Escreve a peça Kaos, Adapta para a Rede Globo Memórias de um sargento
de milícias. A partir de um argumento de Walter Salles, escreve o roteiro
Últimos diálogos, em 1995.
Em 1996, passa a colaborar nos jornais O Dia (RJ), O Estado de São
Paulo (SP) e Correio Braziliense (DF). Neste último, trabalharia
somente até o fim do ano.
Em 1998, em parceria com Geraldo Carneiro e Jom Tob Azulay, assina o roteiro de
Mátria.
No ano seguinte, começa a adaptar Os três mosqueteiros, de Dumas, para o
formato de musical, trabalho que não chegou a ser concluído.
Em 2000, escreve o roteiro de Brasil! Outros 500 Uma PoopÓpera, que
teve sua estréia no Teatro Municipal de São Paulo. O espetáculo contava com músicas de
Toquinho e Paulo César Pinheiro e arranjos de Wagner Tiso. Deixa de colaborar com O
Estado de São Paulo e O Dia. Passa a colaborar com coluna semanal na
Folha de São Paulo. Lança o site Millôr On Line
(http://www.millor.com.br) .
No ano seguinte, deixa a Folha de São Paulo e volta ao Jornal do
Brasil.
Em 2002, publica Crítica da razão impura ou O primado da ignorância, em que
analisa as obras Brejal dos Guajas e outras histórias, de José Sarney, e
Dependência e desenvolvimento na América Latina, de Fernando Henrique Cardoso.
Deixa de colaborar, em novembro, com o Jornal do Brasil.
Em 2003, ilustra O menino, volume de contos de João Uchoa Cavalcanti Netto, e
faz cem desenhos para uma nova compilação das Fábulas fabulosas.
Em 2004, lança pela Editora Record, Apresentações.
Em meados de agosto de 2004 é anunciado seu retorno às folhas da revista semanal
Veja, a partir de setembro daquele ano.
Tempos atrás um jornal publicou que Millôr estava todo cheio de si por ter recebido, em
sua casa, uma carta de um leitor com o seguinte endereçamento:
"Millôr
Ipanema"
É a glória!
LIVROS DO AUTOR:
Prosa:
- "Eva sem costela Um livro em defesa do homem" (sob o pseudônimo de
Adão Júnior) - 1946 - Editora O Cruzeiro.
- "Tempo e contratempo" (sob o pseudônimo de Emmanuel Vão Gogô) - 1949 -
Editora O Cruzeiro.
- "Lições de um ignorante" - 1963 - J. Álvaro Editor
- "Fábulas Fabulosas" - 1964 - J. Álvaro Editor. Edição revista e ilustrada
1973 - Nórdica
- "Esta é a verdadeira história do Paraíso" - 1972 - Livraria Francisco Alves
- "Trinta anos de mim mesmo" - 1972 - Nórdica
- "Livro vermelho dos pensamentos de Millôr" - 1973 Nórdica. Edição
revista e ampliada: Senac 2.000.
- "Compozissõis imfãtis" - 1975 - Nórdica
- "Livro branco do humor" - 1975 Nórdica
- "Devora-me ou te decifro" 1976 L&PM
- "Millôr no Pasquim" - 1977 Nórdica
- "Reflexões sem dor" - 1977 - Edibolso.
- "Novas fábulas fabulosas" - 1978 Nórdica
- "Que país é este?" - 1978 Nórdica
- "Millôr Fernandes Literatura comentada". Organização de Maria Célia
Paulillo 1980 Abril Educação
- "Todo homem é minha caça" - 1981 - Nórdica
- "Diário da Nova República" - 1985 L&PM
- "Eros uma vez" 1987 Nórdica Ilustrações de Nani
- "Diário da Nova República,v. 2" - 1988 L&PM
- "Diário da Nova República, v. 3" 1988 L&PM
- "The cow went to the swamp ou A vaca foi pro brejo" 1988 - Record
- "Humor nos tempos do Collor" (com L. F. Veríssimo e Jô Soares) 1992
L&PM
- "Millôr definitivo - A bíblia do caos" - 1994 L&PM
- "Amostra bem-humorada" 1997 Ediouro Seleção de textos
de Maura Sardinha
- "Tempo e contratempo (2ª edição) Millôr revisita Vão Gogô" - 1998
- Beca.
- "Crítica da razão impura ou O primado da ignorância Sobre Brejal dos
Guajas, de José Sarney, e Dependência e Desenvolvimento na América Latina, de Fernando
Henrique Cardoso" 2002 L&PM
- "100 Fábulas Fabulosas" 2003 Record
- "Apresentações" 2004 Record.
Poesia:
- "Papaverum Millôr" 1967 Prelo. Edição revista e ilustrada:
1974 Nórdica
- "Hai-kais" 1968 Senzala
- "Poemas" 1984 L&PM
Artes visuais:
- "Desenhos" 1981 Raízes Artes Gráficas. Prefácio de Pietro
Maria Bardi e apresentação de Antônio Houaiss.
PEÇAS DE TEATRO:
Publicadas em livros:
- "Teatro de Millôr Fernandes (inclui Uma mulher em três atos [1953], Do tamanho de
um defunto [1955], Bonito como um deus [1955] e A gaivota [1959])" 1957
Civilização Brasileira
- "Um elefante no caos ou Jornal do Brasil ou, sobretudo, Por que me ufano do meu
país" 1962 Editora do Autor
- "Pigmaleoa" 1965 Brasiliense
- "Computa, computador, computa" 1972 Nórdica
- "É..." 1977 L&PM
- "A história é uma istória" 1978 L&PM
- "O homem do princípio ao fim" 1982 L&PM
- "Os órfãos de Jânio" 1979 L&PM
- "Duas tábuas e uma paixão" 1982 L&PM (nunca encenada)
Não editadas:
- "Diálogo da mais perfeita compreensão conjugal" - 1955
- "Pif, tac, zig, pong" 1962
- "A viúva imortal" 1967
- "A eterna luta entre o homem e a mulher" 1982
- "Kaos" 1995 (leitura pública em 2001 nunca encenada)
ESPETÁCULOS MUSICAIS:
- "Pif-Paf Edição extra!" 1952 (com músicas de Ary Barroso)
- "Esse mundo é meu" 1965 (em parceria com Sérgio Ricardo)
- "Liberdade liberdade" 1965 (em parceria com Flávio Rangel)
- "Memórias de um sargento de milícias" - 1966 (com músicas de Marco Antonio
e Nelson Lins e Barros)
- Momento 68 1968
- Mulher, esse super-homem 1969
- Bons tempos, hein?! 1979 (publicada pela L&PM - 1979 - Porto Alegre)
- Vidigal: Memórias de um sargento de milícias 1982 (com músicas de Carlos Lyra)
- De repente 1984
- O MPB-4 e o Dr. Çobral vão em busca do mal 1984
- Brasil! Outros 500 Uma PopÓpera (com músicas de Toquinho e Paulo César
Pinheiro)
TRADUÇÕES:
Romances:
- A estirpe do dragão (Dragon seed), de Pearl S. Buck - 1942 - José Olympio Editora -
Rio de Janeiro.
- Nunca saí de casa (I never left home), de Bob Hope - 1945 - O Cruzeiro - Rio de
Janeiro.
Textos teatrais:
1958 "A fábula de Brooklin Gente como nós", de Irwin Shaw.
1960 - "O prodígio do mundo Ocidental", de John M. Synge.
1961 - "Megera domada", de W. Shakespeare.
1961 "O velho ciumento", de Miguel de Cervantes.
1963 "Mary, Mary", de Jean Kerr.
1963 "Pigmaleão", de G. Bernard Shaw.
1963 "As preciosas ridículas", de Molière.
1965 - "Pequenos assassinatos", de Jules Feiffer.
1965 "A mulher de todos nós", de Henri Becque.
1965 - "Escola de mulheres", de Molière.
1967 - "Lisistrata", de Aristófanes.
1967 "Negra meobem", de François Campaux.
1967 "O assassinato da irmã Geórgia", de Frank Marcus.
1967 - "Marat Sade", de Peter Weiss.
1967 - "A volta ao lar", de Harold Pinter.
1967 - "Blecaute", de Frederic Knott.
1968 - "A cozinha", de Arnold Wesker.
1970 "Rapazes da banda", de Mart Crowley.
1971 - "As eruditas", de Molière.
1972 - "Antigamente", de Harold Pinter.
1974 - "Antígona", de Sófocles.
1975 - "Os filhos de Kennedy", de Robert Patrick.
1976 - "Senhor Puntila e seu criado Matti", de Bertold Brechet.
1976 "Vivaldino, servidor de dois amos", de Carlo Goldoni.
1977 - "A calça", de Carl Sternheim.
1978 - "Quem tem medo de Virginia Wolf?", de Edward Albee.
1979 - "Afinal, uma mulher de negócios Liberdade em Bremen", de R. W.
Fassbinder.
1979 - "Palhaços de ouro", de Neil Simon.
1980 "O rei Lear", de W. Shakespeare.
1980 - "De quem é a vida, afinal?", de Brian Clark.
1980 - "Gata em telhado de zinco quente", de Tennessee Williams.
1980 - "A carta", de Somerset Maugham.
1980 - "Ó, Calcutá!", de Kenneth Tynan.
1981 - "As lágrimas amargas de Petra von Kant", de R. W. Fassbinder.
1981 Bunnys Bar, de Josiane Balasko.
1981 - "As alegres matronas de Windsor", de W. Shakespeare.
1981 - "A senhorita de Tacna", de Mario Vargas Llosa.
1982 - "Chorus line", de de Michael Bennet.
1982 "Casamento branco", de Tadeusz Rozewicz.
1982 "Hedda Gabler", de Henrik Ibsen.
1982 - "A viúva alegre", de Franz Lehar.
1983 - "A falecida senhora sua mãe", de George Feydeau.
1983 - "Piaf", de Pam Gems.
1983 - "O jardim das cerejeiras", de Anton Tchekov.
1983 - "Boa noite, mãe", de Marsha Norman.
1984 - "Grande e pequeno", de Botho Strauss.
1984 - "Pô, Romeu!", de Efraim Kishon.
1984 - "Hamlet", de W. Shakespeare.
1984 - "Tio Vânia", de Anton Tchekov.
1984 "Dédalo e Ícaro", de Dario Fo.
1984 "O sacrifício de Isaac", de Dário Fo.
1984 "A tigresa", de Dário Fó.
1984 "Gilda, um projeto de vida", de Noel Coward.
1984 - "Madame Vidal", de Georges Feydeau.
1985 - "Fedra", de Jean Racine.
1985 - "O feitichista", de Michel Tournier.
1985 - "Imaculada", de Franco Scaglia.
1985 - "Sábado, domingo e segunda", de Edoardo de Filippo.
1985 - "Assim é, se lhe parece", de Luigi Pirandello.
1986 - "Quarteto", de Heiner Müller.
1986 "Quatro vezes Beckett", de Samuel Beckett.
1986 "Ensina-me a viver", de Collin Higgins.
1987 - "O preço", de Arthur Miller.
1987 - "Filumena Marturano", de Edoardo de Filippo.
1987 - "Vestir os nus", de Pirandello.
1988 - "Encontrarse", de Pirandello.
1987 "La mamma ou O belo Antônio", de Vitaliano Francatti.
1994 - "Don Juan, o convidado de pedra", de Molière.
1996 - "Anna Magnani", de Armand Meffre.
1996 "Paloma", de Jean Anouilh.
1996 "Master class", de Terence McNally.
1999 - "Últimas luas", de Furio Bordon.
2001 "Fim de jogo", de S. Beckett.
Traduções para o teatro publicadas:
- "A megera domada", de W.Shakespeare - 1965 - Letras e Artes
- "Sr. Puntila e seu criado Matti", de B.Brecht - 1966 -
Civilização.Brasileira
- "O prodígio do mundo ocidental", de John M. Synge - 1968 Braziliense
- "Escola de mulheres", de Molière - 1973 Nórdica
- "Os filhos de Kennedy", de R. Patrick - 1975 Nórdica
- "A volta ao lar", de Harold Pinter 1976 Abril Cultural
- "Lisistrata", de Aristófanes 1977 Abril Cultural
- "O rei Lear", de W. Shakespeare 1981 L&PM
- "A senhorita de Tacha", de Mário Vargas Llosa 1981 Francisco
Alves
- "Afinal, uma mulher de negócios Liberdade em Bremen", de R. W.
Fassbinder 1983 L&PM
- "As lágrimas amargas de Petra von Kant", de R. W. Fassbinder 1983
L&PM
- "Hamlet", de W. Shakespeare 1984 L&PM
- "Fedra", de J. Racine 1985 L&PM
- "Don Juan, o convidado de pedra", de Molière 1994 L&PM
- "As alegres matronas de Windsor", de W. Shakespeare 1995
L&PM
- "Antígona", de Sófocles 1996 Paz e Terra
- "As eruditas", de Molière 2003 L&PM.
FÁBULA:
- "A ovelha negra e outras fábulas", de Augusto Monterroso 1983
Record, ilustrações de Jaguar.
HUMOR:
- "A completa lei de Murphy", de Arthur Bloch 1996 Record
ilustrações de Jaguar.
EXPOSIÇÕES:
1957 - Exposição no Museu de Arte Moderna - Rio.
1961 - Exposição na Petite Galerie - Rio.
1975 - Exposição de desenhos na Galeria Grafitti - Rio.
1977 - Exposição "Visão da Terra" no Museu de Arte Moderna - Rio.
MULTIMÍDIA:
2000 - "Em Busca da Imperfeição" - CD-Rom - Neder & Associados / Oficina /
Universo Online (UOL).
ROTEIROS PARA O CINEMA:
Individuais:
1952 "Modelo 19". Lançado como O amanhã será melhor,
também conhecido como Uma ponte de esperança. Direção de Armando Couto.
1960 "Amor para três". Direção de Carlos Augusto Christensen.
1960 "Ladrão em noite de chuva". Direção de Armando Couto.
1962 "Esse Rio que eu amo". Direção de Carlos Augusto Christensen.
1965 "Crônica da cidade amada". Direção de Carlos Augusto Christensen.
1967 "O menino e o vento". Direção de Carlos Augusto Christensen.
1995 "Últimos diálogos". Ainda não filmado (2004).
Em parceria:
1995 - "O judeu". Com Geraldo Carneiro e Gilvan Pereira. Direção de Jom Tob
Azulay.
1998 - "Matria. Com Geraldo Carneiro e Jom Tob Azulay (Ainda não filmado
2004).
Colaboração:
1995 "Terra estrangeira". Direção de Walter Salles e Daniela Thomas
(diálogos adicionais).
ADAPTAÇÃO PARA A TELEVISÃO:
- "Memórias de um sargento de milícias". Baseado no musical
Vidigal. Direção de Mauro Mendonça Filho, Rede Globo de Televisão
1995.
INTERNET:
2000 Millôr Online (http://www.millor.com.br).
ILUSTRAÇÕES:
- "Maurício, o leão de menino", de Flávia Mari. São Paulo - 1981
Summus.
- "Sapomorfose ou O príncipe que coaxava", de Cora Rónai. Rio de Janeiro
1983 Salamandra.
- "O caderno rosa de Lori Lamby", de Hilda Hilst. São Paulo 1990
Massao Ohno.
- "O menino, de João Uchoa Cavalcanti Netto". Rio de Janeiro 2003
Editora Rio.
COMPOSIÇÃO MUSICAL:
1966 "O homem". Apresentada por Nara Leão no II Festival de Música
Brasileira, da TV Record de São Paulo.
Textos extraídos de livros do autor, da
Internet , do CD "Em busca da Imperfeição", de 1999, produzido pela Neder
& Associados e dos Cadernos de Literatura Brasileira Instituto Moreira
Salles.
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