Vestida de Preto
Mário de Andrade
Tanto andam agora preocupados em definir o conto que não sei bem se o que vou contar é
conto ou não, sei que é verdade. Minha impressão é que tenho amado sempre. Depois do
amor grande por mim que brotou aos três anos e durou até os cinco mais ou menos, logo o
meu amor se dirigiu para uma espécie de prima longínqua que freqüentava a nossa casa.
Como se vê, jamais sofri do complexo de Édipo, graças a Deus. Toda a minha vida, mamãe
e eu fomos muito bons amigos, sem nada de amores perigosos.
Maria foi o meu primeiro amor. Não havia nada entre nós, está claro, ela como eu nos
seus cinco anos apenas, mas não sei que divina melancolia nos tomava, se acaso nos
achávamos juntos e sozinhos. A voz baixava de tom, e principalmente as palavras é que se
tornaram mais raras, muito simples. Uma ternura imensa, firme e reconhecida, não exigindo
nenhum gesto. Aquilo aliás durava pouco, porque logo a criançada chegava. Mas tínhamos
então uma raiva impensada dos manos e dos primos, sempre exteriorizada em palavras ou
modos de irritação. Amor apenas sensível naquele instinto de estarmos sós.
E só mais tarde, já pelos nove ou dez anos, é que lhe dei nosso único beijo, foi
maravilhoso. Se a criançada estava toda junta naquela casa sem jardim da Tia Velha, era
fatal brincarmos de família, porque assim Tia Velha evitava correrias e estragos.
Brinquedo aliás que nos interessava muito, apesar da idade já avançada para ele. Mas é
que na casa de Tia Velha tinha muitos quartos, de forma que casávamos rápido, só de
boca, sem nenhum daqueles cerimoniais de mentira que dantes nos interessavam tanto, e cada
par fugia logo, indo viver no seu quarto. Os melhores interesses infantis do brinquedo,
fazer comidinha, amamentar bonecas, pagar visitas, isso nós deixávamos com generosidade
apressada para os menores. Íamos para os nossos quartos e ficávamos vivendo lá. O que
os outros faziam, não sei. Eu, isto é, eu com Maria, não fazíamos nada. Eu adorava
principalmente era ficar assim sozinho com ela, sabendo várias safadezas já mas sem
tentar nenhuma. Havia, não havia não, mas sempre como que havia um perigo iminente que
ajuntava o seu crime à intimidade daquela solidão. Era suavíssimo e assustador.
Maria fez uns gestos, disse algumas palavras. Era o aniversário de alguém, não lembro
mais, o quarto em que estávamos fora convertido em dispensa, cômodas e armários cheios
de pratos de doces para o chá que vinha logo. Mas quem se lembrasse de tocar naqueles
doces, no geral secos, fáceis de disfarçar qualquer roubo! estávamos longe disso. O que
nos deliciava era mesmo a grave solidão.
Nisto os olhos de Maria caíram sobre o travesseiro sem fronha que estava sobre uma cesta
de roupa suja a um canto. E a minha esposa teve uma invenção que eu também estava longe
de não ter. Desde a entrada no quarto eu concentrara todos os meus instintos na
existência daquele travesseiro, o travesseiro cresceu como um danado dentro de mim e
virou crime. Crime não, "pecado" que é como se dizia naqueles tempos
cristãos... E por causa disso eu conseguira não pensar até ali, no travesseiro.
Já é tarde, vamos dormir Maria falou.
Fiquei estarrecido, olhando com uns fabulosos olhos de imploração para o travesseiro
quentinho, mas quem disse travesseiro ter piedade de mim. Maria, essa estava simples
demais para me olhar e surpreender os efeitos do convite: olhou em torno e afinal,
vasculhando na cesta de roupa suja, tirou de lá uma toalha de banho muito quentinha que
estendeu sobre o assoalho. Pôs o travesseiro no lugar da cabeceira, cerrou as venezianas
da janela sobre a tarde, e depois deitou, arranjando o vestido pra não amassar.
Mas eu é que nunca havia de pôr a cabeça naquele restico de travesseiro que ela deixou
pra mim, me dando as costas. Restico sim, apesar do travesseiro ser grande. Mas imaginem
numa cabeleira explodindo, os famosos cabelos assustados de Maria, citação obrigatória
e orgulho de família. Tia Velha, muito ciumenta por causa duma neta preferida que ela
imaginava deusa, era a única a pôr defeito nos cabelos de Maria.
Você não vem dormir também? ela perguntou com fragor, interrompendo o meu
silêncio trágico.
Já vou que eu disse estou conferindo a conta do armazém.
Fui me
aproximando incomparavelmente sem vontade, sentei no chão tomando cuidado em sequer tocar
no vestido, puxa! também o vestido dela estava completamente assustado, que dificuldade!
Pus a cara no travesseiro sem a menor intenção de.
Mas os cabelos de Maria, assim era pior, tocavam de leve no meu nariz, eu podia espirrar,
marido não espirra. Senti, pressenti que espirrar seria muito ridículo, havia de ser um
espirrão enorme, os outros escutavam lá da sala-de-visita longínqua, e daí é que o
nosso segredo se desvendava todinho.
Fui afundando o rosto naquela cabeleira e veio a noite, senão os cabelos (mas juro que
eram cabelos macios) me machucavam os olhos. Depois que não vi nada, ficou fácil
continuar enterrando a cara, a cara toda, a alma, a vida, naqueles cabelos, que maravilha!
até que o meu nariz tocou num pescocinho roliço. Então fui empurrando os meus lábios,
tinha uns bonitos lábios grossos, nem eram lábios, era beiço, minha boca foi ficando
encanudada até que encontrou o pescocinho roliço. Será que ela dorme de verdade?... Me
ajeitei muito sem-cerimônia, mulherzinha! e então beijei. Quem falou que este mundo é
ruim! só recordar... Beijei Maria, rapazes! eu nem sabia beijar, está claro, só beijava
mamães, boca fazendo bulha, contato sem nenhum calor sensual.
Maria, só um leve entregar-se, uma levíssima inclinação pra trás me fez sentir que
Maria estava comigo em nosso amor. Nada mais houve. Não, nada mais houve. Durasse aquilo
uma noite grande, nada mais haveria porque é engraçado como a perfeição fixa a gente.
O beijo me deixara completamente puro, sem minhas curiosidades nem desejos de mais nada,
adeus pecado e adeus escuridão! Se fizera em meu cérebro uma enorme luz branca, meu
ombro bem que doía no chão, mas a luz era violentamente branca, proibindo pensar,
imaginar, agir. Beijando.
Tia Velha, nunca eu gostei de Tia Velha, abriu a porta com um espanto barulhento. Percebi
muito bem, pelos olhos dela, que o que estávamos fazendo era completamente feio.
Levantem!... Vou contar pra sua mãe, Juca!
Mas eu, levantando com a lealdade mais cínica deste mundo!
Tia Velha me dá um doce?
Tia Velha eu sempre detestei Tia Velha, o tipo da bondade Berlitz, injusta, sem
método pois Tia Velha teve a malvadeza de escorrer por mim todo um olhar que só
alguns anos mais tarde pude compreender inteiramente. Naquele instante, eu estava só
pensando em disfarçar, fingindo uma inocência que poucos segundos antes era real.
Vamos! saiam do quarto!
Fomos saindo muito mudos, numa bruta vergonha, acompanhados de Tia Velha e os pratos que
ela viera buscar para a mesa de chá.
O estranhíssimo é que principiou, nesse acordar à força provocado por Tia Velha, uma
indiferença inexplicável de Maria por mim. Mais que indiferença, frieza viva, quase
antipatia. Nesse mesmo chá inda achou jeito de me maltratar diante de todos, fiquei
zonzo.
Dez, treze, quatorze anos... Quinze anos. Foi então o insulto que julguei definitivo. Eu
estava fazendo um ginásio sem gosto, muito arrastado, cheio de revoltas íntimas,
detestava estudar. Só no desenho e nas composições de português tirava as melhores
notas. Vivia nisso: dez nestas matérias, um, zero em todas as outras. E todos os anos era
aquela já esperada fatalidade: uma, duas bombas (principalmente em matemáticas) que eu
tomava apenas o cuidado de apagar nos exames de segunda época.
Gostar, eu continuava gostando muito de Maria, cada vez mais, conscientemente agora. Mas
tinha uma quase certeza que ela não podia gostar de mim, quem gostava de mim!... Minha
mãe... Sim, mamãe gostava de mim, mas naquele tempo eu chegava a imaginar que era só
por obrigação. Papai, esse foi sempre insuportável, incapaz de uma carícia. Como
incapaz de uma repreensão também. Nem mesmo comigo, a tara da família, ele jamais
ralhou. Mas isto é caso pra outro dia. O certo é que, decidido em minha desesperada
revolta contra o mundo que me rodeava, sentindo um orgulho de mim que jamais buscava
esclarecer, tão absurdo o pressentia, o certo é que eu já principiava me aceitando por
um caso perdido, que não adiantava melhorar.
Esse ano até fora uma bomba só. Eu entrava da aula do professor particular, quando
enxerguei a saparia na varanda e Maria entre os demais. Passei bastante encabulado, todos
em férias, e os livros que eu trazia na mão me denunciando, lembrando a bomba, me
achincalhando em minha imperfeição de caso perdido. Esbocei um gesto falsamente alegre
de bom-dia, e fui no escritório pegado, esconder os livros na escrivaninha de meu pai. Ia
já voltar para o meio de todos, mas Matilde, a peste, a implicante, a deusa estúpida que
Tia Velha perdia com suas preferências:
Passou seu namorado, Maria.
Não caso com bombeado ela respondeu imediato, numa voz tão feia, mas tão
feia, que parei estarrecido. Era a decisão final, não tinha dúvida nenhuma. Maria não
gostava mais de mim. Bobo de assim parado, sem fazer um gesto, mal podendo respirar.
Aliás um caso recente vinha se ajuntar ao insulto pra decidir de minha sorte. Nós
seríamos até pobretões, comparando com a família de Maria, gente que até viajava na
Europa. Pois pouco antes, os pais tinham feito um papel bem indecente, se opondo ao
casamento duma filha com um rapaz diz-que pobre mas ótimo. Houvera um rompimento de
amizade, mal-estar na parentagem toda, o caso virara escândalo mastigado e remastigado
nos comentários de hora de jantar. Tudo por causa do dinheiro.
Se eu insistisse em gostar de Maria, casar não casava mesmo, que a família dela não
havia de me querer. Me passou pela cabeça comprar um bilhete de loteria. "Não caso
com bombeado"... Fui abraçando os livros de mansinho, acariciei-os junto ao rosto,
pousei a minha boca numa capa, suja de pó suado, retirei a boca sem desgosto. Naquele
instante eu não sabia, hoje sei: era o segundo beijo que eu dava em Maria, último beijo,
beijo de despedida, que o cheiro desagradável do papelão confirmou. Estava tudo acabado
entre nós dois.
Não tive mais coragem pra voltar à varanda e conversar com... os outros. Estava com uma
raiva desprezadora de todos, principalmente de Matilde. Não, me parecia que já não
tinha raiva de ninguém, não valia a pena, nem de Matilde, o insulto partira dela, fora
por causa dela, mas eu não tinha raiva dela não, só tristeza, só vazio, não sei...
creio que uma vontade de ajoelhar. Ajoelhar sem mais nada, ajoelhar ali junto da
escrivaninha e ficar assim, ajoelhar. Afinal das contas eu era um perdido mesmo, Maria
tinha razão, tinha razão, tinha razão, que tristeza!
Foi o fim? Agora é que vem o mais esquisito de tudo, ajuntando anos pulados. Acho que
até não consigo contar bem claro tudo o que sucedeu. Vamos por ordem: Pus tal firmeza em
não amar Maria mais, que nem meus pensamentos me traíram. De resto a mocidade raiava e
eu tinha tudo a aprender. Foi espantoso o que se passou em mim. Sem abandonar o meu jeito
de "perdido", o cultivando mesmo, ginásio acabado, eu principiara gostando de
estudar. Me batera, súbito, aquela vontade irritada de saber, me tornara estudiosíssimo.
Era mesmo uma impaciência raivosa, que me fazia devorar bibliotecas, sem nenhuma
orientação. Mas brilhava, fazia conferências empoladas em sociedadinhas de rapazes,
tinha idéias que assustavam todo o mundo. E todos principiavam maldando que eu era muito
inteligente mas perigoso.
Maria, por seu lado, parecia uma doida. Namorava com Deus e todo o mundo, aos vinte anos
fica noiva de um rapaz bastante rico, noivado que durou três meses e se desfez de
repente, pra dias depois ela ficar noiva de outro, um diplomata riquíssimo, casar em duas
semanas com alegria desmedida, rindo muito no altar e partir em busca duma embaixada
européia com o secretário chique seu marido.
Às vezes meio tonto com estes acontecimentos fortes, acompanhados meio de longe, eu me
recordava do passado, mas era só pra sorrir da nossa infantilidade e devorar numa tarde
um livro incompreensível de filosofia. De mais a mais, havia Rose pra de-noite, e uma
linda namoradinha oficial, a Violeta. Meus amigos me chamavam de "jardineiro", e
eu punha na coincidência daqueles duas flores uma força de destinação fatalizada.
Tamanha mesmo que topando numa livraria com The Gardener de Tagore, comprei o livro e
comecei estudando o inglês com loucura. Mário de Andrade conta num dos seus livros que
estudou o alemão por causa dum emboaba tordilha... eu também: meu inglês nasceu duma
Violeta e duma Rose.
Não, nasceu de Maria. Foi quando uns cinco anos depois, Maria estava pra voltar pela
primeira vez ao Brasil, a mãe dela, queixosa de tamanha ausência, conversando com mamãe
na minha frente, arrancou naquele seu jeito de gorda desabrida:
Pois é, Maria gostou tanto de você, você não quis!... e agora ela vive longe de
nós.
Pela terceira vez fiquei estarrecido neste conto. Percebi tudo num tiro de canhão.
Percebi ela doidejando, noivando com um, casando com outro, se atordoando com dinheiro e
brilho. Percebi que eu fora uma besta, sim agora que principiava sendo alguém, estudando
por mim fora dos ginásios, vibrando em versos que muita gente já considerava. E percebi
horrorizado, que Rose! nem Violeta, nem nada! era Maria que eu amava como louco! Maria é
que amara sempre, como louco: ôh como eu vinha sofrendo a vida inteira,
desgraçadíssimo, aprendendo a vencer só de raiva, me impondo ao mundo por despique, me
superiorizando em mim só por vingança de desesperado. Como é que eu pudera me imaginar
feliz, pior: ser feliz, sofrendo daquele jeito! Eu? eu não! era Maria, era exclusivamente
Maria toda aquela superioridade que estava aparecendo em mim... E tudo aquilo era uma
desgraça muito cachorra mesma. Pois não andavam falando muito de Maria? Contavam que
pintava o sete, ficara célebre com as extravagâncias e aventuras. Estivera pouco antes
às portas do divórcio, com um caso escandaloso por demais, com um pintor de nomeada que
só pintava efeitos de luz. Maria falada, Maria bêbeda, Maria passada de mão em mão,
Maria pintada nua...
Se dera como que uma transposição de destinos... E tive um pensamento que ao menos me
salvou no instante: se o que tinha de útil agora em mim era Maria, se ela estava se
transformando no Juca imperfeitíssimo que eu fora, se eu era apenas uma projeção dela,
como ela agora apenas uma projeção de mim, se nos trocáramos por um estúpido engano de
amor: mas ao menos que eu ficasse bem ruim, mas bem ruim mesmo outra vez pra me igualar a
ela de novo. Foi a razão da briga com Violeta, impiedosa, e a farra dessa noite
bebedeira tamanha que acabei ficando desacordado, numa série de vertigens, com médico,
escândalo, e choro largo de mamãe com minha irmã.
Bom, tinha que visitar Maria, está claro, éramos "gente grande" agora. Quando
soube que ela devia ir a um banquete, pensei comigo: "ótimo, vou hoje logo depois de
jantar, não encontro ela e deixo o cartão". Mas fui cedo demais. Cheguei na casa
dos pais dela, seriam nove horas, todos aqueles requififes de gente ricaça, criado que
leva cartão numa salva de prata etc. Os da casa estavam ainda jantando. Me introduziram
na saletinha da esquerda, uma espécie de luís-quinze muito sem-vergonha, dourado por
inteiro, dando pro hol central. Que fizesse o favor de esperar, já vinham.
Contemplando a gravura cor-de-rosa, senti de supetão que tinha mais alguém na saleta,
virei. Maria estava na porta, olhando pra mim, se rindo, toda vestida de preto. Olhem: eu
sei que a gente exagera em amor, não insisto. Mas se eu já tive a sensação da vontade
de Deus, foi ver Maria assim, toda de preto vestida, fantasticamente mulher. Meu corpo
soluçou todinho e tornei a ficar estarrecido.
Ao menos diga boa-noite, Juca...
"Boa-noite, Maria, eu vou-me embora"... meu desejo era fugir, era ficar e ela
ficar mas, sim, sem que nos tocássemos sequer. Eu sei, eu juro que sei que ela estava se
entregando a mim, me prometendo tudo, me cedendo tudo quanto eu queria, naquele se deixar
olhar, sorrindo leve, mãos unidas caindo na frente do corpo, toda vestida de preto. Um
segundo, me passou na visão devorá-la numa hora estilhaçada de quarto de hotel, foi
horrível. Porém, não havia dúvida: Maria despertava em mim os instintos da
perfeição. Balbuciei afinal um boa-noite muito indiferente, e as vozes amontoadas vinham
do hol, dos outros que chegavam.
Foi este o primeiro dos quatro amores eternos que fazem de minha vida uma grave
condensação interior. Sou falsamente um solitário. Quatro amores me acompanham, cuidam
de mim, vêm conversar comigo. Nunca mais vi Maria, que ficou pelas Europas, divorciada
afinal, hoje dizem que vivendo com um austríaco interessado em feiras internacionais. Um
aventureiro qualquer. Mas dentro de mim, Maria... bom: acho que vou falar banalidade.
Mário de Andrade (1893-1945), nasceu em São Paulo, mostrando desde cedo
inclinação pela música e literatura. Seu interesse pelas artes levou-o a realizar em
São Paulo, de parceria com Oswald de Andrade, a Semana de Arte Moderna, que rasgou novas
perspectivas para a cultura brasileira.Sua obra, essencialmente brasileira, reflete um
nacionalismo humanista, que nada tem de místico e abstrato. "Macunaíma",
baseada em temas folclóricos é, geralmente, considerada a sua obra-prima.
O texto acima foi enviado por nosso leitor Flávio Pezzini, a quem agradecemos a
colaboração.
Conheça a vida e a obra de Mário de Andrade visitando
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