Verdades Inadiáveis
Leon Eliachar
O cigarro não provoca o câncer. O câncer, sim, é que vive provocando o cigarro.
O pior cego não é aquele que não quer
ver: é aquele que não quer ser visto.
Pior do que a criança do vizinho
só a nossa -- segundo o nosso vizinho.
Um homem prevenido vale por dois, dois
homens prevenidos não sobra nenhum.
Saca-rolha é esse instrumento que
foi inventado pra empurrar a rolha para dentro da garrafa.
A alegria do geômetra é ver o círculo
pegar fogo.
O que mais pesa em cima de um
travesseiro é a consciência.
Só uma coisa o homem faz questão de
acompanhar durante toda a sua vida com verdadeiro carinho: a queda dos cabelos.
Liberdade de imprensa é fácil.
Difícil é ser jornalista livre.
Sogra é esse parente afastado que se torna
cada vez mais próximo.
Como evoluiu a odontologia: cada
dia se inventa um aparelho diferente pra provocar uma dor diferente.
Pai moderno é uma ilha de afeto cercada de
contas por todos os lados.
Da discussão não nasce a luz,
nasce a conta da luz.
A grande luta dos anunciantes de sabão
em pó é querer tornar o seu branco mais branco que o do outro.
Faquir é esse sujeito que fica
deitado sobre pregos pra ganhar o seu pão de cada 100 dias.
Pediatra é um sujeito de profissão
difícil: tem de agradar as mães sem prejudicar a saúde das crianças.
O sim mais caro do mundo
o homem deposita na igreja e a mulher fica sacando o resto da vida.
Agora que existe o parto sem dor só
falta inventarem a conta com anestesia.
Marido é um homem que passa a
metade da vida procurando uma mulher e a outra metade tentando livrar-se dela.
É mais cômodo ter três mulheres fora de
casa do que um dentro.
Uma mulher é uma mulher, uma
mulher, uma mulher. Às vezes, uma rosa.
O crime perfeito leva tanto tempo para
ser planejado que às vezes o criminoso morre antes da vítima.
O chato da bebida não é o mal
que ela nos pode trazer, são os bêbados que ela nos traz.
Não são o cavalheiros que estão
acabando, é o "h" que já não se usa mais.
Leon Eliachar já participa há tempos de nossa página. Seus livros foram
avançadíssimos para a época em que foram lançados, combinando de forma fenomenal os
textos com capas e desenhos de Cyro Del Nero, Fortuna, Gian e Juarez Machado. Leiam "O
Homem ao Zero", Editora Expressão e Cultura - Rio de Janeiro, 1968, págs.
diversas, de onde extraímos o texto acima, "O Homem ao Cubo", "O
Homem ao Quadrado", "A Mulher em Flagrante" e "10 em
Humor".
Conheça a vida e a obra
de Leon Eliachar visitando "Biografias".
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