Em auxílio das frases feitas

Julio Cortázar



Dito tudo
não resta
evidentemente
nada a dizer.

*

Dito isto,
mas o quê?
Para saber
seria preciso situar-se
atrás do poema,
no não escrito do escrito,
coisa mais difícil.

*

Afinal de tudo
não resta nada.

*

Passando de uma coisa à outra,
outra coisa é brilhantina
único fabricante Brancato.

*

Pensando bem,
não seria necessário
dizer o que disse antes, não é?

*

Desculpe, mas...
Quase sempre prelúdio
de algo indesculpável.

*

Sinto muito, mas...
Vamos, vamos.



*Traduzido do francês para o castelhano por Aurora Bernardez.


Filho de pai diplomata, Julio Cortázar nasceu por acaso em Bruxelas, no ano de 1914. Com quatro anos de idade foi para a Argentina. Com a separação de seus pais, o escritor foi criado pela mãe, uma tia e uma avó. Com o título de professor normal em Letras, iniciou seus estudos na Faculdade de Filosofia e Letras, que teve que abandonar logo em seguida, por problemas financeiros. Para poder viver, deu aulas e diversos colégios do interior daquele país. Por não concordar com a ditadura vigente na Argentina, mudou-se para Paris, em 1951. Autor de contos considerados como os mais perfeitos no gênero, podemos citar entre suas obras mais reconhecidas “Bestiário” (1951), “Las armas secretas” (1959),“Rayuela”, (1963), “Todos los fuegos el fuego” (1966), “Ultimo round” (1969), “Octaedro” (1974), “Pameos y Meopas” (1971), “Queremos tanto a Glenda" (1980), “Salvo el crepúsculo” — póstumo (1984) e "Papéis inesperados" — póstumo (2010). O escritor morreu em Paris, de leucemia, em 1984.


O texto acima foi extraído do do livro "Papéis inesperados", Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — 2010, pág. 432. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman.

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