Crioilas mortas
Ao amigo Ulabo Vilaque

Furnandes Albaralhão

A lágrirma é um líquido quente que a
gente expél plu glovo bisuale cando suluça.
CANDIDO FIGÁIREDO.


Cando uma preta morre, um cumeta aparece
nobo, a andáre nu céu, mustrando u ravo à gente,
e a ialma da difunta, acesa, pirsistente,
nu supradito ravo agarra-se e istrimece.

Ó bós que andais na farra! Ubi-me, finalmente!
Tudo isso que fazâis assim qu'a noite desce,
bai-se ubire nu céu e S. Pedro, parece
que não gosta de bêre u qui não é dicente!

Namurados qu'andais co'a jiqueta châirando
a vudum de crioila e andais vus incustando
p'lus muros, pula rua, entra mês e sai mês,

piedade! Elas beem u bósso ispalhafato!
Piedade! Que diavo! Isso ufende u ricato
das que biberam sós, sem mâsmo um purtuguês!


Furnandes Albaralhão
(Horácio Campos), excelente poeta e fino humorista, escreveu poemas "lusitânus" e compôs deliciosas paródias de poesias de autores nacionais e estrangeiros, como acima.. É autor do livro "Caldo Berde", publicado em 1930. Colaborou com o Barão de Itararé no periódico humorístico "A Manha". O texto acima foi extraído do livro "Humor e Humorismo - Paródias", Editora Brasiliense - São Paulo, 1961, pág. 308, antologia organizada por Idel Beker.

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