Todas as cartas de amor...
Fernando
Pessoa
(Poesias de Álvaro de Campos)
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos, 21/10/1935
Uma visão breve sobre a vida e a obra do maior poeta da língua portuguesa: 1888: Nasce
Fernando Antônio Nogueira Pessoa, em Lisboa. - 1893: Perde o pai.
- 1895: A mãe casa-se com o comandante João Miguel Rosa. Partem para Durban, África do
Sul. - 1904: Recebe o Premio Queen Memorial Victoria, pelo ensaio apresentado no exame de
admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança. - 1905: Regressa sozinho a Lisboa. -
1912: Estréia na Revista Águia. - 1915: Funda, com alguns amigos, a revista Orpheu. -
1918/21: Publicação dos English Poems. - 1925: Morre a mãe do poeta. - 1934:
Publica Mensagem. - 1935: Morre de complicações hepáticas em Lisboa.
Os versos acima, escritos com o heterônimo de Álvaro de Campos, foram extraídos do
livro "Fernando Pessoa - Obra Poética", Cia. José Aguilar Editora - Rio
de Janeiro, 1972, pág. 399.
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