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Criança
Dalton Trevisan
Tua professora ligou. De castigo, você. Beijando na boca os meninos. Que
feio, meu filho. Não é assim que se faz.
...
Menino beija menina.
Você é gozada, cara.
...
Pensa que elas deixam?
oo0oo
Ele sai do banheiro, a toalha na cintura.
Pai, deixa eu ver o teu rabo.
É a tipinha deslumbrada no baile da debutante de três anos.
Rabo, filha? Ah, sei. O bumbum do pai?
Seu bobo.
...
Esse pendurado aí na frente.
oo0oo
O pai telefona para casa:
Alô?
...
Reconhece o silêncio da tipinha. Você liga? Quem fala é você.
Alô, fofinha.
Nem um som. Criança não é, para ser chamada fofinha. Cinco anos, já viu.
Oi, filha. Sabe que eu te amo?
Eu também.
"Puxa, ela nunca disse que me amava".
Também o quê?
Eu também amo eu.
Textos extraídos do livreto "Crianças (seleção)", editado pelo próprio
autor em Curitiba (PR), 2001, págs. 5, 15 e 31.
Tudo sobre o autor em "Biografias".
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