Dalton Trevisan
Grande sorriso do canino de ouro, o velho Abílio propõe às donas que se abastecem de pão e banana: Como é o negócio? De cada três dá certo com uma. Ela sorri, não responde ou é uma promessa a recusa: Deus me livre, não! Hoje não... Abílio interpelou a velha: Como é o negócio? Ela concordou e, o que foi melhor, a
filha também aceitou o trato. -- Como é o negócio? Ela sorriu, olhinho baixo. Abílio espreitou o cometa partir. Manhã cedinho saltou a cerca. Sinal combinado, duas batidas na porta da cozinha. A dona saiu para o quintal, cuidadosa de não acordar os filhos. Ele trazia a capa de viagem, estendida na grama orvalhada. O vizinho espionou os dois, aprendeu o sinal. Decidiu imitar a proeza. No crepúsculo, pum-pum, duas pancadas fortes na porta. O marido em viagem, mas não era dia do Abílio. Desconfiada, a moça surgiu à janela e o vizinho repetiu: Como é o negócio? Diante da recusa, ele ameaçou: Então você quer o velho e não quer o moço? Olhe que eu conto! Espere um pouco atalhou Julietinha. Já volto. Abriu a janela, despejou água quente na mão do negro, que fugiu aos pulos. A moça foi ao boteco. Referiu tudo ao velho Abílio, mão na cabeça: Barbaridade, ô neguinho safado! O vizinho não contou e o cometa nada descobriu. Mas o velho Abílio teve medo. Nunca mais se encontrou com Julietinha, cada dia mais bonita.
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