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Arnaldo Nogueira Jr



Casimiro de Abreu

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Clara

Casimiro de Abreu


Não sabes, Clara, que pena
eu teria se — morena
tu fosses em vez de clara!
Talvez... quem sabe... não digo...
mas refletindo comigo
talvez nem tanto te amara!

A tua cor é mimosa,
brilha mais da face a rosa
tem mais graça a boca breve.
O teu sorriso é delírio...
És alva da cor do lírio,
és clara da cor da neve!

A morena é predileta,
mas a clara é do poeta:
assim se pintam arcanjos.
Qualquer, encantos encerra,
mas a morena é da terra
enquanto a clara é dos anjos!

Mulher morena é ardente:
prende o amante demente
nos fios do seu cabelo;
— A clara é sempre mais fria,
mas dá-me licença um dia
que eu vou arder no teu gelo!

A cor morena é bonita,
mas nada, nada te imita
nem mesmo sequer de leve.
— O teu sorriso é delírio...
És alva da cor do lírio,
és clara da cor da neve!


Casimiro
José Marques de Abreu (1839 - 1860) nasceu em Barra de São João (RJ). Conhecido como o poeta do amor e da saudade e autor de "Canções do Exílio" e de "As primaveras", é o patrono da Cadeira nº 6 da Academia Brasileira de Letras.

Os versos acima foram extraídos do livro "Humor e Humorismo - Poesia e Versos", Ed. Brasiliense - São Paulo,1961, pág. 101. Seleção, notas e comentários de Idel Becker.

 

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