Clara
Casimiro de Abreu
Não sabes, Clara, que pena
eu teria se morena
tu fosses em vez de clara!
Talvez... quem sabe... não digo...
mas refletindo comigo
talvez nem tanto te amara!
A tua cor é mimosa,
brilha mais da face a rosa
tem mais graça a boca breve.
O teu sorriso é delírio...
És alva da cor do lírio,
és clara da cor da neve!
A morena é predileta,
mas a clara é do poeta:
assim se pintam arcanjos.
Qualquer, encantos encerra,
mas a morena é da terra
enquanto a clara é dos anjos!
Mulher morena é ardente:
prende o amante demente
nos fios do seu cabelo;
A clara é sempre mais fria,
mas dá-me licença um dia
que eu vou arder no teu gelo!
A cor morena é bonita,
mas nada, nada te imita
nem mesmo sequer de leve.
O teu sorriso é delírio...
És alva da cor do lírio,
és clara da cor da neve!
Casimiro José Marques de Abreu, nasceu em
1837. Fluminense, era conhecido como "o cantor da saudade". Seu pai,
homem de posses, tanto se esforçou para que o filho se dedicasse ao
comércio que acabou fazendo-o adoecer. De nada adiantaram os
tratamentos de saúde em Portugal e em Friburgo (RJ): o poeta faleceu
em 1869, com apenas 23 anos de idade. Publicou um único livro,
"Primaveras", em 1859.
O texto acima foi extraído da antologia "Humor e Humorismo —
Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos", Editora
Brasiliense - 1961, pág. 101, organização de Idel Becker.
[ Voltar ]
RESPEITE OS
DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUAL
Copyright © 1996 PROJETO RELEITURAS.
É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. |