ABeCeDário
(Frases)

Carlito Maia



A Ilha da Solidão é cercada de mágoa por todos os lados. Eros aniquilado, Thanatos reina sobre o Nada.

Brasília, urgente: queremos eleger um verdadeiro Presidente!

Chaplin, há 10 anos, e o Chê, há 20: santos se transformam em religião.

"Deus seja louvado" (está escrito nas notas de quinhentos). Pois lhes cairia melhor um "Deus nos perdoe".

Evite acidentes: faça tudo de propósito.

Faço até o que não gosto, mas o que eu não quero eu não faço.

Gravata: deixei de usar porque sentia um nó na garganta.

Homem está em falta. Machão tem a dar com pau.

Itália: a democracia melhor do mundo! (Amor Pertini.)

Justiça será feita quando o justiçado puder dizer como deve ser feita a justiça.

Karl Marx combatia o capital; Lafargue, seu genro, era contra o trabalho. Família ideal, gente do baralho.

Liberdade sexual é foda.

Meta o pau na camisinha. Faço como a galinha: cuide bem do seu pintinho.

Não leve a mal: vim ao mundo a passeio, não em viagem de negócios.

Olívia, amostra grátis do céu, Musa do Terceiro Milênio. Eu te adoro, neta primeira e única.

PT: estrela vermelha, astral azul. A luz no fim do túnel. Pura Tesão.

Quando me fecham as saídas, escapulo pelas entradas.

Rio de Vaneio: é alto demais o preço do mar e da montanha.

Suicíndia é um país que convive com o nosso: mistura de Suíça das contas numeradas e Índia das turbas esfaimadas.

Também, pudera, nasci em Minas Gerais! (Mineiro não fica doido, piora.)

Uma vida não é nada; com coragem, pode ser muito.

Vivo livre e solitário, qual uma árvore. Porém, solidário como uma floresta.

Wallinho Simonsen: rico, mas não rico só de dinheiro.

Xerox da "Redentora", a "Nova República" nada tem de original. Apenas Ulysses, era só o que phaltava.

Yestergay's: que tal este nome para um bar de bichas históricas?

Zas-trás: acabou-se o que era doce. FMI.


Carlito Maia
(Carlos Maia de Souza), nasceu em Lavras (MG), a 19/02/1924. No início dos anos 30 veio para São Paulo (SP). Segundo seu depoimento, nunca freqüentou escola e foi, sucessivamente, "moleque, lavador de xícaras de café, rebelde, office-boy, contestador, reservista de 2ª categoria (Exército), antifascista, sargento da FAB, boêmio, despachante policial, picareta, corretor de seguros, clochard, ajudante de despachante aduaneiro, bon vivant, tradutor público juramentado". Mas pisou pela primeira vez na trilha do sucesso no dia 19-02-54, quando completava 30 anos. Levado pelo irmão Hugo Maia de Souza, prestou exame na Escola de Propaganda do Museu de Arte Moderna. Passou em primeiro lugar, chamando a atenção do presidente da mesa examinadora, Geraldo Santos, que se tornou seu amigo e o levou para ser "contato" na agência de publicidade McCann-Erickson, onde foi atender à conta da Good-Year. Sua carreira de sucesso na área de propaganda o fez trabalhar nas grandes empresas do setor no Brasil: Atlas (onde ganhou seu primeiro prêmio - o "Souza Ramos"), Norton, Alcântara Machado, Magaldi, Maia & Prosperi (onde lançou a "Jovem Guarda", "Calhambeque", etc), P.A. Nascimento, Estúdio 13, Esquire e, finalmente, na Rede Globo, onde permaneceu por mais de 20 anos. Em 1978, foi eleito o "Publicitário do Ano". Frasista dos melhores ("Brasil? Fraude explica"), foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), sendo de sua autoria os "slogans" "Lula-lá", "O
PTei". Homem de oposição, certa vez declarou que deixaria o partido quando este chegasse ao poder.

Em sua homenagem, foi criado, em 2000, o Troféu Carlito Maia de Cidadania, que premia pessoas que desenvolvem ações sociais em prol da cidadania e na luta pelos direitos humanos.

Carlito faleceu em São Paulo no dia 22 de junho de 2002, aos 78 anos.


Frases extraídas do livro "Vale o escrito", Editora Globo, 1989, pág. 136.

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