Tradição e Outras Histórias
Ascenso Ferreira
Terraço da Casa-Grande de manhãzinha, fartura espetaculosa dos coronéis:
Ó Zé-estribeiro! Ó Zé-estribeiro!
Inhôôr!
Quantos litros de leite deu a vaca Cumbuca?
25, seu Curuné!
E a vaca malhada?
27, seu Curuné!
E a vaca Pedrês?
35, seu Curuné!
Sóó? Diabo! Os meninos hoje não têm o qui mamar!
SUCESSÃO DE SÃO PEDRO
Seu
vigário!
Está aqui esta galinha gorda
que eu trouxe pro mártir São Sebastião!
Está falando com ele!
Está falando com ele!
GAÚCHO
Riscando os
cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das cochilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
Para que?
Pra nada!
Poeta pernambucano, Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira
nasceu na cidade de Palmares no ano de 1895. Dizem que começou a atividade
literária enganado, compondo sonetos, baladas e madrigais. Depois da "Semana
de Arte Moderna" e sob a influência de Guilherme de Almeida, Manuel Bandeira
e de Mário de Andrade, tomou rumos novos e achou um caminho que o conduziria
a uma situação de relevo nas letras pernambucanas e nacionais. Voltou-se
para os temas regionais de sua terra que foram reunidos em seus livros
"Catimbó" (1927), "Cana caiana" (1939), "Poemas 1922-1951" (1951), "Poemas
1922-1953" (1953), "Catimbó e outros poemas" (1963), "Poemas" (1981) e
"Eu voltarei ao sol da primavera" (1985). Foram
publicados postumamente, em 1986, "O Maracatu", "Presépios e Pastoris" e "O
Bumba-Meu-Boi: Ensaios Folclóricos", em livro organizado por Roberto
Benjamin. Distingue-se não pela quantidade, mas pela qualidade, atingindo não
raro efeitos novos, originais, imprevistos, em matéria de humorismo e sátira.
O poeta faleceu na cidade do Recife (PE), em 1965.
Textos extraídos de "Antologia de Humorismo e Sátira", Editora
Civilização Brasileira - Rio de Janeiro, 1957, págs. 316, 317 e 318. Seleção de R.
Magalhães Júnior.
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