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Conversas de computador
O dia em que eles compraram o primeiro micro
Ana Peluso
Aqui diz que para obter ajuda, tenho de pressionar efeum.
O que é isso de efeum?
Ah, sei lá, deve ser um ejetor automático de bunda.
Bunda e todo o resto do corpo, você quer dizer?
É. Deve ir o corpo todo, mas é pela bunda que se ejeta.
Tá, então é pela bunda que se ejeta e você pretende apertar a efeum.
Ai, não sei... aperto?
E eu é que vou saber?
Não. Você nunca sabe nada mesmo.
Eu sei que não agüento mais ficar esperando sua mãe todo sábado no
cabeleireiro. Já perdi três jogos do campeonato. O Jorge vai me colocar na reserva.
Tadinha da mamãe... Ser trocada por um campeonato de condôminos Eu disse pra ela
que preciso de um carro. Acho que vou apertar a efeum enfim.
Ainda não apertou essa droga de tecla?
Não. Eu disse pra você que não consigo me decidir quanto a apertar a tecla ou
não. Vai que a bunda ejeta e o corpo não?
Bom, nesse caso você fica sem bunda.
Engraçadinho... Você fala isso porque não é a sua bunda que tá em jogo.
Meu bem, eu nunca coloco minha bunda em jogo.
Tem certeza? Não é o que o Rubens fala.
O que é que o Rubens fala???
Ué? Você nunca ouviu o Rubens falando que a tua bunda deve ter mel?
Ah, mas isso é uma alusão às três vezes que fui picado por abelhas. Africanas.
Todas as três.
Que três? Você tava acompanhado quando foi picado nas três vezes que esteve no
sítio do Brama?
O nome dele não é Brama. É Lama. De...
Lamartine. Eu sei. Mas você estava?
O que?
Acompanhado?
Claro que não. A não ser do Lama e seus Red Caps.
Então que três são essas?
As abelhas. Que mais três poderiam ser?
Ah, não sei... Você quando bebe perde a conta. De repente foram quatro.
Cansei. Vou dormir. Amanhã a você me ensina a mexer nessa geringonça.
Olha que eu aperto a efeum.
Aperta. Aproveita e aperta a efedois, a enter e a barra de espaço.
E se eu ejetar?
Vai ser uma merda.
Eu sabia que você que você acharia uma merda, se algo desse errado.
Mas eu só vou achar uma merda quando algo realmente der errado!
Ai, credo! Até parece que você quer que eu ejete!
Pensa assim ó: se você for ejetada, fechamos a questão.
Ana Peluso (1966), paulistana, casada, um filho, formada em Comunicação
e Programação Visual, escreve desde os 18 anos. Abandonou a faculdade de letras pelo
desenho e as artes visuais. Aprendeu a desenhar e voltou a escrever. Atua na rede como
webdesigner, ilustradora e colunista e colaboradora em vários sítios há mais de 4 anos.
Dedica-se em tempo parcial ao desenvolvimento e conteúdo da Officina do Pensamento, sítio
destinado à divulgação de arte e literatura e escreve por pura vocação, enquanto
prepara seu primeiro livro de contos. O resto do tempo usa para pintar, escrever, curtir a
família, além do teatro, música e cinema, outras de suas paixões.
Possui participação em três Antologias: As Crônicas dos Anjos de Prata, Vol
II.- 2001, Os Anjos de Prata - Antologia de Crônicas e Contos, Vol III
2002, e Antologia Poetrix 2002.
O texto acima, inédito, nos foi gentilmente enviado pela escritora.
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