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Dalton Trevisan
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Algumas de Dalton Trevisan
(O Vampiro de Curitiba)
Dalton Trevisan
O amor
é como uma corruíra no jardim de repente ela canta e muda toda a paisagem.
Aos
quarenta anos você pede menos que Diógenes, nem reclama da sombra de Alexandre na
soleira do tonel.
Ele
manda e desmanda no vento. Ralha com a chuva. Castiga o raio. Silencia o protesto do
trovão. Só pela velha não é obedecido.
O
vaga-lume risca um fósforo outro mais outro sem acertar a chave na porta.
Cinqüenta
metros quadrados de verde por pessoa de que te servem se uma em duas vale por três
chatos?
Corta
essa cara. De que serve fazer bem uma gaiola se nenhum passarinho quer entrar?
Espiou-a
encher o copo no filtro, sorver a metade e deixar o resto.
Essa aí nem beber água sabe.
Ai de
Sansão, fosse bom amante, não o trocaria Dalila por um filisteu qualquer.
O velho
na agonia, no último gemido para a filha:
Lá no caixão...
Sim, paizinho.
...não deixe essa aí me beijar.
Chorando
baixinho, o velho disca todas as combinações possíveis. Mas não acerta o número da
própria casa.
A
velhinha meio cega, trêmula e desdentada:
Assim
que ele morra eu começo a viver.
Quem
lhe dera o estilo do suicida no último bilhete.
Em
agonia, roncando e gemendo, afasta a boca medonha da velha:
Só me beije depois de morto.
Mini-histórias
extraídas do livro "Ah, é?", Distribuidora Record de Serviços de
Imprensa - Rio de Janeiro, 1994, pág. 05 e seguintes.
Tudo
sobre o autor em nossa página "Biografias".
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