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Purgatório - Canto XI
Dante Alighieri
"As almas dos orgulhosos cantam o Pai Nosso, como parte da penitência que visa
purificá-las através do exercício da humildade."
"Ó Padre nosso que nos Céus estás,
não circunscrito, mas em todo o amor,
que aos primos entes do teu feito dás,
louvado seja o teu Nome e Valor
por toda criatura, à qual apraz
render graças também ao teu Vapor.
Bem venha do Teu reino a nós a paz,
porque de procurá-la, se dos Céus
não vier mais, nosso engenho é incapaz.
Como, de seu querer, os anjos teus
fazem, cantando a ti, renúncia pia,
o mesmo façam os homens dos seus.
Dá-nos hoje o maná de cada dia,
que, se faltar neste deserto infido,
vi pra trás quem pra frente mais porfia.
E como nós o mal que hemos sofrido
a cada um perdoamos, tu perdoa
benigno, sem cuidar se é merecido.
Nossa virtude que preste esboroa
não experimentes co' o antigo adversário
mas dele nos liberta, que a aguilhoa.
Este rogo, Senhor, que último eu digo,
por supérfluo, não é pra o nosso bando,
mas pra os que ainda não têm o seu castigo".
Dante Alighieri, escritor italiano, nasceu na cidade de Florença no ano de 1265.
Estudou Teologia e Filosofia, sendo profundo conhecedor dos clássicos latinos e dos
filósofos escolásticos. Pertenceu ao Partido Guelfo, lutou na Batalha de Campaldino
contra os Gibelinos e, por volta de 1300, iniciou a carreira diplomática. Em 1302,
foi preso por causa das suas atividades políticas. Iniciou-se então a segunda etapa da
sua vida: o exílio definitivo, pois não aceitou as anistias de 1311 e 1315. Afastado de
Florença, viveu em Verona e em Lunigiana. Posteriormente, e seguindo as vicissitudes da
política dos principados italianos, residiu também em Ravena, onde morreu em 14 de
setembro de 1321.
Outros trabalhos do escritor: Commedia: Vita Nuova; Convivio; De Vulgari Eloquentia;
Monarchia; Quaestio de Aqua et Terra; Espistolas.
De sua principal obra, "A Divina Comédia" ("Purgatório"), Editora 34
Ltda. - São Paulo, pág. 73, tradução de Italo Eugenio Mauro, extraímos o texto acima.
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